Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Há cada vez mais crianças e jovens a fazer trabalho comunitário. E não, não é por eles terem um espírito solidário desenvolvido. Os tribunais de família é que estão a dar com mais frequência este tipo de sanção aos jovens delinquentes. E não, também não é por os tribunais portugueses estarem armados em modernos. É porque há falta de pessoal para fazer acompanhamento educativo e, segundo a lei portuguesa, poucas vezes o crime cometido pode ser castigado com o internamento. Sendo assim, o jovem ou a criança que comete um crime menor pode ser obrigado a cumprir tarefas entre as quais a cruel obrigação de ir à escola, a tortura de cumprir um programa terapêutico ou a atrocidade de frequentar um curso. Não quero parecer insensível às boas intenções dos tribunais de família, embora sejam fruto da falta de meios. Mas parece-me que há alguma coisa errada nisto. Imaginemos um rapaz honesto e pobre. Não vai à escola por falta de meios ou vigilância parental. É levado a cometer um crime para poder estudar? Vejamos um outro rapaz na mesma situação mas que anda um pouco perturbado e precisa de terapia. Terá de roubar uma carteira a uma velinha para ser tratado? Num mundo ideal, onde todas as crianças são boazinhas e vão à escola, talvez isto fizesse algum sentido. Há outras obrigações que os tribunais também dão como tarefa, como o trabalho em instituições de saúde ou hospitais. O que também me sugere um problema: podemos obrigar a alguém a ser solidário? E aqueles que generosamente fazem voluntariado terão de aturar miúdos de mau humor que estão ali porque é melhor que ser internado? E uma última pergunta mais profunda: é correcto que o castigo de alguém seja o proveito de outro? Não é por nada mas quando existiam os trabalhos forçados, o conceito era o mesmo. Mas basta de angústia! Fico contente pelos putos criminosos que agora podem ir à escola. Só espero que a moda não pegue. Não gostava de ver o Silvino a limpar a rua da minha casa nem estar no hospital e ver o jovem que matou a namorada a aconchegar-me os lençóis. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:08
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