Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Embora saiba que há nestes dias acontecimentos mais importantes na política internacional, como a presença de Shakira em Lisboa, penso que devo comentar outras subtilezas internacionais. Não discuto que Shakira tenha agitado o panorama das relações ibero-americanas, mas por mais que goste dela e da sua música e de todo o seu talento indisfarçável, particularmente nos últimos vídeos, há coisas mais importantes. Por exemplo, as ausências. Uma cimeira ibero-americana sem Hugo Chavez é como um Passeio dos Alegres sem Júlio Isidro ou um Big Brother sem Teresa Guilherme. Por mais que gostemos da insolência do nosso Presidente Aníbal ou do optimismo do nosso Primeiro-ministro José, sem Chavez esta reunião vai ser, como aliás está a ser, uma chatice. A ausência de Raul Castro, apesar de não ser uma grande estrela, também não ajuda. O que o Raul tem de bom é que nos dá um cheirinho de Fidel e assim sabemos um bocadinho às quantas anda. Lula podia ajudar um pouco a animar a festa, mas desde que está armado em grande potência, perdeu a graça. Lula dá a sensação de que está a fazer um frete em estar entre ibero-americanos. É o que acontece quando se frequenta a alta-roda dos famosos e poderosos e de repente se tem de ir a uma festa de aniversário de um sobrinho no cu de judas. Até o Rei Juan Carlos anda com cara de chateado à espera do fim das reuniões para poder ir para os copos com os amigos da Linha que alegraram a sua adolescência. Mas sabe que o Pinto Balsemão já não tem a pedalada que tinha. É normal. Nem todos tiveram a vida de um rei. Ainda por cima a Bachelet do Chile ou a Krischner da Argentina não cumprem os mínimos. Nem de longe. Saudades deve ter ele da Rainha de Marrocos ou da Jordânia. Já para não falar da mulher de Sarkozy ou mesmo da Primeira-ministra da Ucrânia, a Yulia Timoshenko, que deve ser lixada mas tem aquele penteado muito giro. Não. Decididamente esta cimeira não promete muito. Felizmente o nosso Sócrates não perde tempo. Logo na abertura falou de inovação e conhecimento. Com um bocadinho de sorte, vendemos mais uns Magalhães e pagamos os custos da festa ibero-americana. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO