Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Enquanto a Suíça decidiu em referendo proibir a construção de novos minaretes nas mesquitas, o Irão anunciou que vai construir mais dez centrais nucleares. Para o cidadão comum, estas duas notícias não estão ligadas, mas para um observador mais atento, como eu, isso não é bem assim. O relacionamento entre países pode às vezes ser um jogo de póquer; outras vezes, de xadrez. Mas quando nada funciona, acaba sempre num desastre. A Guerra-fria, por exemplo, começou como um jogo de xadrez. A crise dos mísseis em Cuba era mais parecida com um jogo de póquer. Seja qual for o jogo, o importante é que os participantes joguem o mesmo jogo. Caso contrário, acaba mal. Se a intenção dos suíços é pressionar o Irão com a cartada urbanística, embora subtil, duvido que cause algum efeito. Os suíços podem ser bons com relógios e contas bancárias, mas não é a proibir minaretes que se impede os outros de fazerem bombas nucleares. Outra analogia pertinente é que a politica internacional é como a vida de solteiro e a política nacional é como a vida de casado. Um solteiro só se preocupa em marcar o seu território, comprar brinquedos e, eventualmente, em conquistar a mulher com quem se quer casar. Um homem casado, tal como os governos, só quer prosperidade, paz no lar e assegurar um futuro para os seus filhos. Quando um país está a fazer o que lhe apetece e a chatear toda a gente, vizinhos incluídos, é um país solteiro. Quando um país se preocupa só com o ambiente, o défice, e a divida externa e interna é um país casado. Quando o Irão anuncia que vai construir mais dez centrais nucleares, sabendo que uma já traz as complicações que sabemos, disse logo cá para mim: o Irão está mesmo a precisar de arranjar uma namorada. Com tantos problemas que há no mundo, esta gente só quer armar mais complicações. Vê-se que não têm nada com que se preocupar em casa. Mas não acho grave. São fases temporárias na vida pelas quais todos passamos. Fico contente que a China, a Índia e a Rússia morem ao lado deste país ansioso pela sua afirmação nuclear. Nada como uns vizinhos persuasivos para acalmar um solteiro irresponsável. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:27
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