Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Terminou a Cimeira Ibero-Americana. Não percebo como os ilustres participantes conseguiram fazer tanto em tão pouco tempo. Em menos de quarenta e oito horas chegaram a um acordo que parecia impossível. Não deve ter sido nada fácil redigir uma declaração de acordo unânime sobre temas tão controversos. Por muito menos, discussões destas levaram a conflitos sanguinários entre povos com muitíssimo mais experiência diplomática e maior diversidade linguística que os irmãos latino-americanos. Devo confessar que me lágrimas entusiastas de emoção me caíram pela cara abaixo enquanto lia a Declaração de Lisboa, um documento histórico que prova a vontade dos governantes em se entenderem. Não interessam as diferenças culturais, sociais, económicas ou de língua. O artigo primeiro diz assim: “Dar prioridade à inovação no quadro das estratégias nacionais de desenvolvimento dos nossos países”. A audácia da proposta deixa-me mudo. Concordar em dar preferência às políticas nacionais de progresso é uma prova de que há coisas mais importantes que os anacrónicos conceitos de soberania ou de apoio às políticas que não ajudam a melhorar os países. No segundo ponto, vão ainda mais longe: “Fortalecer as instituições nacionais de inovação e promover a cooperação solidária entre os Governos ibero-americanos”. Onde já se viu tanto empenho em reforçar as instituições e pacificar os Estados? Os participantes desta cimeira deviam ser santificados. Podia continuar a citar as propostas altruístas e revolucionárias, mas não consigo. Tenho um nó no estômago. Ainda por cima, o líder do país mais poderoso desta bondosa congregação, O senhor Lula, presidente do Brasil, chegou depois do começo da Cimeira porque teve mais que fazer, e foi-se embora antes do fim, porque tinha mais que fazer. E, no entanto, sente-se a harmonia política e solidária do conjunto. Julgo que se Chavez tivesse vindo, também chorava como eu chorei. Tenho a certeza de que abraçaria o seu inimigo de estimação, o presidente Uribe da Colômbia, e que se solidarizava com as iniciativas de inovação da Colômbia, como se fosse na Venezuela. Tinha sido bonito. Mas, eu sei, também teria sido demasiado intenso para estes corações ibero-americanos. Haja paz no mundo e que as misses de todos os países saibam que não estão sozinhas. A Ibero-América pensa como elas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:32
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