Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Graças a uns cientistas holandeses, daqui a cinco anos poderá estar à venda carne artificial. Sinceramente, desde que se vende vinhos com abertura fácil e falam do tofu com respeito, nada me surpreende. Vivemos numa época onde o par nominal “bebé proveta” não impressiona ninguém, fazer clones de animais já não é notícia e anunciar que ser ruivo é uma anomalia genética que em breve estará extinta, não comove ninguém. A ideia de comer um prego de carne artificial não me espanta nada. Isso não significa que, se puder escolher, a última coisa que vou pedir num restaurante é um tecido muscular feito no laboratório com batatas fritas e salada. Por outro lado, o que ainda me surpreende é a defesa das convicções. Os vegetarianos não encontram nenhuma objecção a esta novidade alimentar desde que a carne não tiver origem num animal morto. Se soubéssemos que era este o problema bastava não tocar em nenhum órgão vital dos animais. Um borrego, por exemplo, pode sobreviver sem pernas. A “Vegetarian Society” só exige que a carne de laboratório consumida seja “devidamente identificada” para que as pessoas se sintam seguras. Os ecologistas acham fantástico porque esta alternativa pode evitar a emissão de gases de efeito de estufa para a atmosfera que resulta da criação de gado. Um mundo sem defecação parece ser a nova utopia. Entretanto, todos nos chagaram os cornos com os cereais transgénicos, as manipulações genéticas e os bichos que são todos maltratados pelo egoísmo dos sacanas dos carnívoros que somos nós. Ainda ninguém perguntou se essa carne de laboratório vai ter o sabor de um bife de Iaque do Tibete ou de uma costeleta argentina e se os processos utilizados são maléficos ou não. Desde que possam comer os seus legumezinhos, isto não é importante. Por mim, só quero que comam o arroz integral ou o tufozinho deles e nos deixem com as nossas vaquinhas, os nossos cordeirinhos e leitõezinhos a emitir à vontade os seus gases de efeito estufa em paz. Ah, e a partir de agora também não gosto dos cientistas holandeses. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:12
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Comentários:
De João Pereira a 9 de Dezembro de 2009 às 02:46
muito bem!

isto é a verdadeira comida de plástico! :D

Isto com as novas invençoes pode acabar com a publicidade de comida que ninguem gosta... qualquer dia a comida é toda igual e nem é peixe nem é carne... imagino que seja uma espécie de puré onde está presente cozido à portuguesa, bacalhau com natas, leitão à bairrada, sardinha assada e um pudimzinho e mousse de chocolate. tudo no mesmo puré. E já não ha puré de batata... É O NOVO PURÉ DE TUDO... Havendo o puré de tudo acaba a publicidade. porque todos os purés são iguais, têm tudo, não há competições... ah, o meu puré é melhor que o teu porque tem tudo e o teu... ah... também tem tudo...

Ora com isto concluo que não tinha cabeça para mais nada, logo saí-me com um comentário bastante estupido como este sem sentido nenhum... :D

abraço... :D


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