Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Desde o dia 6 de Julho que a venda de medicamentos em unidose começou a ser feita nas farmácias da região de Lisboa e Vale do Tejo. Até ao momento, nenhuma farmácia aderiu à venda de medicamentos nesta modalidade. O CDS-PP, partido que mais lutou pela medida, acusa o Executivo de não ter criado "mecanismos apelativos e justos". É provável que tenham razão, mas não acredito que a tenham completamente. Penso que esta medida é boa e sensata mas cheia de complicações intrínsecas e próprias da desatenção dos deputados ou da sua falta de experiência de vida. Por uma vez não acredito que seja por falta de vontade do governo que esta medida não está a funcionar. Para começar o nome “unidose” é mau. Dá a sensação de que a pessoa tem de ir à farmácia todos os dias para comprar uma pílula, coisa que seria um maçada mesmo para os doentes com a capacidade de se descolar ou a possibilidade de pedir a alguém que fosse buscar a dose. Já para não falar do mau aspecto que dá ir à farmácia como quem vai à procura do dealer. A tal unidose é na verdade o mínimo exigido pelo médico para que o paciente cumpra o tratamento. Quero dizer que o nome dá azo a más interpretações. Por outro lado, da perspectiva dos farmacêuticos, deve ser chato. Têm de separar a quantidade prescrita, embalá-la e muni-la de bula. Obviamente têm mais trabalho e ganham menos. Esta combinação é tradicionalmente desmobilizadora, isto para não dizer fatal, em Portugal. Do ponto de vista do paciente, a coisa não tem melhor cara. Um português doente tem a mesma relação com os medicamentos que um português trabalhador tem com o seu dinheiro. Gosta de poupar para prevenir piores tempos. Quando compra medicamentos quer que sobrem. É uma garantia que se sobrou é porque está curado e que caso que a doença volte já está prevenido. Está errado. A solução é simples. Sugiro aos farmacêuticos que encham aquelas pastilhas que faltem para completar a caixa do remédio prescrito com placebos. Assim os doentes podem continuar até ao fim da caixa e ficam convencidos de que estão curados. É preciso ao mesmo tempo convencer os doentes de que uma doença não é um monopólio. Ou seja, depois de termos uma maleita, o mais provável é vir outra diferente que precise de outros medicamentos para ser curada. São poucos os sortudos que têm uma doença crónica e tomam o mesmo remédio o resto das suas vidas. Não faz sentido acumular pílulas. É uma questão de mudar mentalidades, mais nada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:25
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