Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

É provável que as circunstâncias difíceis que todos ou quase todos estamos a viver estejam a confundir o nosso raciocínio. O caso do deputado Ricardo Rodrigues, que para defender o primeiro-ministro só lhe ocorreu acusar Manuela Ferreira Leite de ter ouvido as escutas, é um exemplo. Termos visto um pivot da RTP a apresentar o Telejornal sem gravata pode também ser um sintoma de alguma confusão. Que Pedro Passos Coelho aceite responder naturalmente que “a honra é importante”, como se houvesse a opção contrária, ou se concorda que o Estado deva fazer uma “lipoaspiração”, péssima analogia sucedânea do clássico “emagrecer o Estado”, também indica alguma confusão nos conceitos. Atentemos ainda no caso do vereador de Odivelas, que não se sabe se se despistou ou não, se agrediu os GNR ou se os guardas da GNR o agrediram a ele. Em contrapartida, todos concordam que Hugo Martins não podia ter utilizado o carro da autarquia para sair à noite. Isto ao ponto de o Bloco de Esquerda peça de dedos em riste a demissão do vereador por utilização indevida do carro de serviço. Não por ter tido um incidente com as forças da ordem ou por estar alcoolizado ao volante. Isto também é uma maneira desordenada de julgar as prioridades. Honestamente, julgo que se me dessem um carro pelo cargo que ocupo achava natural usá-lo nos momentos de descontracção e lazer. O meu descanso e a minha distracção momentânea fazem tão parte de mim como o meu empenho no trabalho. O importante deste estúpido episódio é saber se há um vereador que não aceita a autoridade da Polícia ou se há uma Polícia que abusa da sua autoridade. De resto, já sabemos que Hugo Martins não tem um bom álcool e não sacou nada na discoteca. Nem com um Audi 4. É trágico. Mas este é um problema dele. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:28
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