Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Fazer projectos a longo ou médio prazo em Portugal é um acto heróico. Mas não é por isso que qualquer português que se preze deixa de os fazer. É por esta razão que aplaudo o nosso Primeiro-ministro e a sua promessa de instalar já para o ano 2011 uma rede de distribuição de electricidade para abastecer os carros eléctricos. Este projecto inclui, obviamente, a convicção de que estes carros serão bastante populares no nosso país num futuro muito próximo. Espero sinceramente que este sonho, que pode revolucionar os nossos costumes e melhorar o ar que respiramos nas nossas cidades, se concretize. Dito isto voltemos à terra. Para começar ainda não sabemos quanto vão custar estes carros. Mas imaginemos que está tudo previsto e que há uma espécie de incentivo na sua compra. Pronto. Digamos que sendo assim é barato. Em princípio, a electricidade, comparada com a gasolina, também é barata. Mas quando todos os portugueses tiverem carros eléctricos, o aumento da procura não vai fazer disparar os preços? Inventar-se-á uma electricidade mais cara que a actual como acontece com a gasolina? Não sabemos. Depois temos o problema do tempo da recarga. Vamos ter de passar horas na estação de serviço ou haverá que inventar também uma maneira mais rápida e, claro, mais cara de acelerar o processo? O preço do abastecimento vai incluir cama e comida? Não sabemos. Depois está o problema não despiciendo do silêncio. Estes carros, pelo menos quando são novos, não fazem barulho. Gosto do silêncio mas gosto do silêncio urbano que não é totalmente silencioso. Ausência total de barulho põe-me nervoso. Não quero imaginar-me a caminhar na rua e não ouvir nada. Posso ter um ataque de pânico tipo filme de terror. Ainda por cima, nem todos os condutores portugueses nutrem o mesmo respeito que merecem as passadeiras dos peões. Os atropelamentos vão aumentar? Hão-de buzinar ainda mais do que buzinam? Não sabemos. Felizmente ainda temos tempo para encontrar resposta a estes problemas. Todos sabemos que os planos a médio prazo são sempre adiados. Por uma vez, isso será bom e dar-nos-á tempo para nos organizarmos para o futuro eléctrico que se aproxima. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:30
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