Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Termos fantasias de fazer uma coisa proibida é bom para a saúde. Os meninos podem ter um amigo imaginário. As meninas têm mais sorte e ninguém leva a mal que falem com as suas bonecas. Quando crescem, as meninas substituem as bonecas pelas amigas e os blogues. Os homens continuam a fantasiar com seres imaginários, sejam amigos, inimigos, amantes ou blogues. É bom que assim aconteça. Isso permite ter uma vida real, saudável e comprometida a par de uma outra imaginária, doentia e irresponsável, cheia de violência, devassidão e sucesso. Os problemas surgem quando tentamos tornar real a nossa vida imaginária. É um pouco como aquela frase de termos cuidado quando os nossos desejos se realizam. Podem ser mau, mesmo muito mau. Há casos históricos conhecidos por todos que não vale a pena mencionar. O mais recente foi o de Massimo Tartaglia, que deu um murro no presidente italiano Sílvio Berlusconi. Podem dizer que o homem tinha problemas psiquiátricos, mas todos sabemos que não são necessárias desculpas para realizar uma fantasia pessoal. Tartaglia, no seu egoísmo, provavelmente conseguiu fazer o que a malta da Marinha Grande fez com o Mário Soares. A diferença é que, ao contrário dos italianos, nós ganhámos com a vitória do Mário. Não sei como o Sílvio vai aproveitar este incidente, mas com certeza vai ser muito bem assessorado. Bater nos políticos ou seduzir a Brigitte Bardot (quando tinha vinte anos) são sonhos gratificantes. Mas as consequências são sempre más. Ao agredir fisicamente alguém, tornamos o agredido em vítima. Ainda por cima Berlusconi, que tantos e bons momentos nos tem dado. Seduzir uma mulher inatingível pode tornar-nos amantes das focas para o resto da nossa existência. Viver a nossa vida é bom e difícil. Querer viver a imaginária é uma estupidez pegada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:33
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