Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Já com o Natal em cima de nós, tivemos uma notícia que é uma mensagem de esperança: os jovens consomem menos droga. Ou melhor, há menos jovens a consumir droga. O Instituto da Droga e da Toxicodependência atribui esta descida à sua política de prevenção. Está certo, se considerarmos o aumento do consumo do álcool como parte da estratégia de prevenção às drogas. A nossa juventude bebe à brava. Pela minha parte, não tenho nada contra. Pelo menos sabemos o que ingere a nossa juventude. Com as drogas vendidas por distribuidores não fiscalizados, nunca sabemos o que podemos encontrar, além da droga propriamente dita. É por isso que sou a favor das drogas que se compram na farmácia. Sabemos que a Infarmed cuida de nós e que seria incapaz de deixar à venda no mercado uma substância marada que não pague impostos ou direitos. A outra parte da notícia é igualmente reconfortante. Os adultos continuam não só a drogar-se como estão ainda abertos a novas experiências. Não é para menos. Se tivermos em conta que é a faixa etária mais castigada pela crise financeira e mais atormentada pelo desemprego e pelos impostos, é natural que tentem uma escapatória artificial, embora totalmente merecida. E, sobretudo, não podemos esquecer a responsabilidade dos filhos neste incremento do consumo de drogas. Não é fácil educar filhos adolescentes. Ainda mais difícil é criar filhos adolescentes e alcoólicos. Não esqueçamos que a diminuição do consumo de drogas pelos jovens tem um preço. Enfim, é bonito imaginar a conversa de um casal português, às quatro da manhã, depois de deitar os filhos, não drogados mas totalmente bêbados. O marido oferecer um charro à mulher para aproveitar que os filhos já estão dormir. Mas ela, com um olhar maroto diz-lhe: “Hoje não me apetece, meu amor. Prefiro uma benzodiazepina nova que me recomendou a vizinha. Parece que é óptima. Amanhã não nos lembramos de nada. Nem sequer dos nomes dos nossos filhos!”. O marido, claro, entusiasmado mas sem prescindir do seu charro, também quer experimentar. E lá vão eles, felizes ao leito conjugal. É bonito. É uma família tipicamente portuguesa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:06
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