Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Há dois anos e meio um aluno da Universidade de Minho atacou um professor com uma faca. Parece que houve uma discussão e o estudante de quarto ano de Direito, Sérgio Barbosa, tirou da sua pasta uma faca de cozinha, e atingiu o professor com vários golpes na cara, no tórax e num braço. Posso até compreender que alguém tenha uma faca de cozinha na pasta quando vai para as aulas ou para o trabalho. Eu prefiro levar um canivete suíço e só porque odeio abrir cervejas com um golpe e sempre dá jeito ter uma dessas coisas que servem para abrir garrafas de vinho. No entanto, aceito que haja pessoas que preferem levar uma faca de cozinha na sua pasta. Julgo que o juiz que fez o acórdão concorda comigo. Também achou excessivo afirmar que o Sérgio Barbosa “desferiu golpes”. A diferença é que se fossem golpes de facadas o professor ia desta para melhor. Como ainda está vivo, foram sem dúvida apenas uns cortezinhos feitos no calor de uma discussão normalmente acalorada. Julgo que o juiz me acompanha no raciocínio. Para mim isto não foi mais que um altercado académico à minhota. Contudo, há agravantes registadas pelo tribunal. O estudante Barbosa não compareceu a nenhuma das sessões do julgamento, recusou os contactos com o Instituto de Reinserção Social e manifestou uma total ausência de arrependimento. Isto sim é que é grave. Se o rapaz tivesse chorado baba e ranho e tivesse dito que só queria amor e compreensão do professor, eu, e o tribunal, claro está, dava-lhe seis meses de pena suspensa. Mas com estes sinais exteriores de indiferença, despeito e falta de vontade de ser reinserido socialmente pelo instituto competente, outro galo cantou. O tribunal de Braga foi inclemente, quase digno de Torquemada, o grande inquisidor. Pela má educação e falta sensibilidade, o rapaz foi condenado à “pena de dois anos e meio como forma de adverti-lo para a criminalidade”, pois “a simples ameaça de prisão não é suficiente”, determinou a sentença. Bem feita. Vê se aprendes, ó Sérgio Barbosa. A próxima vez que uses a faca vai ao tribunal e chora. A justiça portuguesa só não gosta de gente malcriada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:09
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