Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Antes da celebração da missa de Galo, no Vaticano o que vimos foi uma mulher vestida com uma camisola vermelha, pormenor importante tendo em conta que as cores dominantes dos fiéis vistos de costas eram mais sóbrias, a saltar uma barreira. Depois vimos o Papa ser derrubado com uma mestria de jogador de rugby. Muito mais tarde, também soubemos que não só o Papa tinha ido ao chão mas também o cardeal Roger Etchegaray, de 87 anos, cinco anos mais velho que Bento XVI, que conta com apenas 82. O Papa não sofreu nem um ferimento graças à sua juventude e à sua sorte. Ao contrário do Cardeal francês, que sofreu uma fractura do colo do fémur. Parecendo que não cinco anos de diferença fazem muita diferença. No dia seguinte tivemos mais esclarecimentos. A jogadora de rugby e suposta agressora era a italo-suíça Susana Maiolo, de 25 anos, que já saltara a barreira no ano passado, mas sem a sorte deste ano. No Natal passado não pôde evitar os seguranças papais. Mas o que interessa é que este ano conseguiu e todos julgámos ver um acto tresloucado de agressão. E todos condenámos a acção da coitada da desequilibrada suíça italiana. Contudo, Susana Maiolo disse que "não queria fazer mal ao Santo Padre nem a ninguém". O presidente da Conferência Episcopal Italiana corroborou que se tratou apenas de uma tentativa de uma fiel para saudar o Papa. É provável, não digo que não. Já vimos estrelas pop sofrer de maneira similar o amor dos fãs. Até eu podia interpretar este acto efusivo de amor ao Papa como um sintoma de sucesso do seu empenho para restituir aos católicos a paixão perdida desde os anos do Iluminismo. Uma afirmação de repúdio à sociedade ocidental cada vez menos capaz de lutar contra a indiferença religiosa. Susana Maiolo, na sua deficiência mental, estaria a mostrar o caminho que se deve seguir e não ter vergonha de mostrar, mesmo violentamente, o seu amor pelo guia da igreja católica. Pode ser. Porém, não posso estar mais de acordo com as medidas de revisão da segurança papal a tomar depois deste incidente. É preciso defender os líderes espirituais do amor que inspiram nos desequilibrados deste mundo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:34
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