Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

A Al-Qaeda na Península Arábica, a sucursal do Iémen para ser mais exacto, reivindicou a tentativa falhada de fazer explodir o avião de passageiros que no dia de Natal viajou de Amesterdão para a cidade norte-americana de Detroit. Nunca imaginei chegar a dizer isto, mas as autoridades terroristas deram um exemplo, ou se quiserem, uma estalada de luva branca aos governantes democráticos. Não estamos habituados a tanta honestidade. Nenhum governante em funções atreveu-se a reconhecer que a Cimeira de Copenhaga foi um fracasso. Não sei como é noutros países, mas aqui em Portugal os políticos não só não admitem quando perdem eleições como se negam a reconhecer qualquer fiasco seja de qual for a negociação. A Al-Qaeda faz uma tentativa terrorista fracassada protagonizada por um queque nigeriano que só conseguiu queimar as pernas e o que fazem os terroristas? Assobiam para o lado? Fazem de conta que não é com eles? Afirmam em absoluta negação da realidade que não foi um acto falhado mas uma advertência aos imperialistas blasfemos? Não e não. Assumem o fracasso com a dignidade clandestina com que nos têm habituado. Não dizem que os negociantes de armas foram uns aldrabões e que lhes venderam explosivos da treta. Não acusam o incompetente menino da mamã do Farouk Abdul Mutallab de ter estragado mais uma lição aos filhos de Satã. A Al-Qaeda não tem medo nenhum de que a comunidade terrorista internacional se ria dela. Quem me dera que os nossos governantes, de quaisquer partidos, aprendessem com estes fundamentalistas assassinos o que significa ter dignidade profissional e a coragem para admitir fracassos e trapalhadas. O problema com eles é, tal como os nossos políticos, nunca se demitirem das suas funções. Os sacanas vão tentar novamente. É pena. Também podiam aprender com os japoneses, não suportarem o fracasso e fazerem o sepukko, mais conhecido por hara-kiri. Era mais admirável e dar-nos-ia mais jeito. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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