Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

A partir de hoje, as pessoas que morrem nos hospitais até 30 dias após sofrerem um acidente de viação vão passar a ser contabilizadas como mortos nas estradas. “Este sistema é adoptado internacionalmente e para comparar Portugal com outros países é esse que vamos utilizar”, disse Paulo Marques, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, admitindo que Portugal está atrasado relativamente aos outros países. Também explicou como se processa o registo em situações de morte resultante de acidentes de viação. As unidades hospitalares comunicam o óbito ao Ministério Público, que, no âmbito da investigação, delega ou informa as forças de segurança. Por sua vez, as forças de segurança fazem o cruzamento com o boletim estatístico de acidente de viação e com a ANSR, que altera os dados de feridos graves para mortos. Agora um aparte engraçado. O tempo aproximado da contabilização feita é de seis meses. E isso se tivermos sorte, porque há especialistas que dizem que os hospitais não estão preparados para passar a fornecer estes dados. A ineficiência burocrática nacional também não é despicienda. Ainda por cima, estes seis meses previstos estão baseados no tempo que demoram os países que fazem está contabilidade há bastante tempo e que são tradicionalmente eficientes nestas coisas de contar mortos; como a Alemanha, para dar o primeiro exemplo que me vem a cabeça. Até que esta recolha de dados se consiga fazer correctamente, vamos continuar no velho sistema de adivinhação por estatísticas. Agora, à quantidade de mortos nas estradas acrescenta-se um optimista 14% do número total dos feridos. Percentagem esta que sempre nos deixou ficar bem quando comparada com a sinistralidade noutros países europeus. Mas o que me faz espécie é a pouca curiosidade dos governos em saber quantos portugueses morrem pelo caminho. E eu que não queria começar o ano chateado. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:41
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Comentários:
De cs a 3 de Janeiro de 2010 às 19:16
Sem problema, entram mais uns tantos funcionários administrativos, cortam-se em todos os que usam batas brancas e as estatísticas batem certo e estão prontas a tempo e horas. Isso é que estão!!!!

Um bom ano Sr. . comendador


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