Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

O machismo é associado aos países latinos, ao bigode, a tauromaquia e a outros sinais exteriores de afirmação masculina. Curiosamente, não se fala do machismo islâmico ou japonês, culturas que nunca esconderam uma tradição machista. Julgo que é o momento certo para acrescentar outras culturas à lista dos machistas não falados. O incidente em Cabinda com a selecção do Togo é um exemplo de machismo comportamental. Não vou mencionar os membros da Frente de Libertação do enclave de Cabinda, que, como qualquer grupo terrorista, já está predefinido como machista no sentido violento e muito estúpido da palavra. Mas comecemos pelo Togo. Os jogadores foram aconselhados pelos organizadores a viajar de avião. Os togoleses decidiram ir de camioneta e fizeram uma viagem de quase dois mil quilómetros que atravessa o Benim, a Nigéria, os Camarões, a Guiné Equatorial, o Gabão e o Congo. Queriam obviamente mostrar que eram homens de barba rija e não iam nessas mariquices de andar de avião. Por outro lado, os angolanos também não lhes ficam atrás. Decidem organizar jogos em Cabinda, quando é sabido que é um território complicado, só para mostrar aos do FLEC que os angolanos não se deixam intimidar. Depois do ataque, os jogadores do Togo querem agora ficar para jogar e assim honrar os colegas mortos e mostrar que também não têm medo. Por sua vez, o governo do Togo quer que os jogadores voltem para casa para provar que ninguém se mete com o Togo impunemente e que não precisam da Confederação Africana de Futebol para nada. Mesmo assim, a saída do avião foi demorada porque a C.A.F não queria mostrar que cedia às pressões dos terroristas da FLEC. Finalmente, os jogadores partiram de Angola, mas o governo do Togo afirma que talvez voltem porque não tem medo de ninguém. Entretanto, os sul-africanos afirmaram que coisas destas nunca hão-de acontecer durante o Mundial de futebol em Junho. Ninguém tem medo de ninguém. Digam lá se não são todos uns machões em África? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:48
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