Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

O PSD vai propor a criação do instituto da união civil registada, que pretende ser uma garantia de protecção das pessoas do mesmo sexo que vivem em condições análogas às dos cônjuges. Esta seria a alternativa social-democrata ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Entretanto, foram apresentadas mais de 96 mil assinaturas a favor do referendo. Eu, confesso, já estou farto. Não posso ouvir falar mais deste tema. A Assembleia aprovou e pronto estamos conversados. Quem não gostar, olhe para o outro lado. Há outros assuntos preocupantes que merecem toda a preocupação ou outros temas que realmente interessam aos portugueses e às portuguesas. Por exemplo, cientistas ingleses chegaram a conclusão de que o ponto G não existe. Aos egoístas explico que o ponto G foi uma descoberta dos anos cinquenta feita por um alemão que afirmava que todas as mulheres têm um centro nervoso perto do inestimável clítoris. Este lugar seria a chave da absoluta alegria feminina. Sessenta anos depois, descobrem que afinal não existe. Muitas mulheres nascidas depois dos anos cinquenta viveram na esperança de o marido algum dia encontrar de uma vez por todas o ponto G. Agora passámos a saber que se algum marido o encontrou, foi apenas uma muito feliz coincidência. Mas nos tristes casos em que nunca foi achado, o ponto atormentou a vida de casais ludibriados pela crença de que a ciência alemã é infalível. Esta revogação do ponto G suscita muitas perguntas. E a primeira é: como é possível que tenham levado sessenta anos para descobrir que não existia? Talvez porque a ciência é feita por homens egoístas e mulheres indiferentes. Também é possível que ninguém quisesse tirar um objectivo à vida de muita gente. Essas pessoas dedicaram-se a encontrá-lo empenhada mas infrutiferamente. A sua não existência teria tido para essas pessoas o mesmo efeito que a queda do Muro de Berlim para os incondicionais da União Soviética. Enfim, como dizia o meu tio: “menos um mito, mais uma responsabilidade”. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:51
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