Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

Gostei da mensagem de fim de ano do Presidente da República. Tenho apenas alguns reparos a fazer sobre questões de estilo. Como, por exemplo, a utilização da palavra “explosiva” para descrever a situação a que podemos chegar se não se encontrarem soluções para os problemas que vivemos. Sei que a situação não está para brincadeiras, mas no mundo em que vivemos onde quase todos os dias há mesmo bombas e bombistas que explodem, utilizar “explosivo” como adjectivo ou hipérbole de perigo, não me parece de muito bom gosto. Uma situação “dramática”, “irreparável”, “lancinante”, ou até “atroz”, podia ter funcionado bem e não traía o espírito da mensagem. Outra pequena observação que me foi sugerida pela mensagem presidencial aconteceu quando se referiu à justiça. É verdade que é preciso que os portugueses confiem nela. Mas também é preciso que os portugueses não esperem tudo dela. Quero dizer, que não esperem que resolva tudo. Mas também que não abusem. Para não ir mais longe tomemos como exemplo a queixa-crime por difamação e calúnia apresentada pelo ex-banqueiro Paulo Teixeira Pinto contra Francisco Louçã. O líder do BE comentou no dia 5 de Outubro de 2009, que uma iniciativa da Causa Real era uma “acção patusca” promovida por “um banqueiro milionário associado ao período do colapso da liderança do BCP”. Não conheço Paulo Teixeira Pinto, mas gostaria de lhe dizer que não é caso para tanto. O Louçã é como é. “Patusco” não é bom mas podia ser pior. “Milionário” não deve ser exacto, mas se compararmos salários, o Paulo vai ter de compreender. Associá-lo ao colapso da liderança do BCP também não tem o rigor que merece, mas uma declaração política não é uma análise jurídica séria. Além do mais, os tribunais estão com tantos processos em fila de espera. Ó Paulo Teixeira Pinto, deixe-se estar. Há tantas coisas mais importantes na vida. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:53
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