Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008
Os políticos, mesmo que ninguém acredite, são pessoas como nós. E tal como nós, têm as suas fraquezas e as suas virtudes. Cheguei a esta conclusão graças aos jornais de fim-de-semana. Vejamos o caso de Sócrates, por exemplo. O homem foi acusado de violar, desculpem a palavra, o acordo de exclusividade com a Assembleia da República por ter feito certos trabalhos quando não podia na sua condição de deputado. Oh! Grande problema! Como se alguma vez não tenhamos feito algum trabalhinho fora das horas de expediente. Ainda por cima, e é importante dizê-lo, isto aconteceu há mais de quinze anos, altura em que, nem no mais feliz dos seus sonhos, nem no maior momento de auto-estima, passava pela cabeça do rapaz que pudesse algum dia chegar a primeiro-ministro! Mesmo assim, a imprensa implacável não deixou passar este insignificante incidente. Ainda bem que a verdade veio ao de cima e o actual primeiro-ministro esclareceu que nunca tinha recebido o tal subsídio de exclusividade indevidamente. Bem feita para aquele que pensou mal e interpretou pior a declaração de IRS de Sócrates. Outro exemplo da humanidade dos nossos políticos é o Telmo Correia. Fizeram-se infames ou talvez apressadas ilações por este ter assinado 300 despachos na madrugada da tomada de posse do novo governo. Quem, pergunto eu, não ficou alguma vez na vida com trabalho atrasado? Quem, volto eu a perguntar, não fez uma directa para cumprir os prazos estabelecidos? Em vez de elogiar o empenho profissional do Telmo, as pessoas mesquinhas só falam de um ou dois despachozinhos que podem ter uma ou outra imperfeição. Qual é o significado de um, dois, vai lá, três despachos discutíveis entre três centenas? Por amor de Deus, mostrem-me um homem que não se engane e eu mostrar-vos-ei um monstro. Fora isso, está tudo bem.


Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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