Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

O último atentado falhado, a bordo de um avião americano que fazia a ligação entre Amesterdão e Detroit no passado dia 25, obrigou à revisão das medidas de segurança nos aeroportos. Acho bem, embora uma parte dentro de mim esteja furiosa. Ao reconhecerem que os mecanismos de vigilância até agora implementados não foram suficientemente eficazes estão a dizer-nos que as longas horas que esperámos nos últimos quase nove anos nos aeroportos foram em vão. Os voos em atraso, as confusões nas partidas, tudo isso foram chatices inúteis e escusáveis. Safámo-nos de sair nos jornais só porque os terroristas acreditaram e começaram a procurar explosivos mais caros. Mas o que está feito, está feito. Agora teremos esperas de quatro horas mas que seja tudo pela defesa da democracia e das minissaias. O novo problema desta remodelação da segurança é a utilização de scanners. Estes aparelhos são o sonho dos tarados sexuais, porque fazem desaparecer a roupa e pode ver-se as pessoas quase em 3D como “vieram ao mundo”, para usar uma expressão popular. O primeiro problema é a privacidade. Em geral, as pessoas que se queixam são feias, gordas, têm implantes, ou, simplesmente, a natureza não foi generosa com elas. As autoridades garantem que o observador autorizado estará isolado, não vê o scanneado ao vivo e a máquina não tem um dispositivo de gravação de imagens. Custa-me a acreditar que não grave, mas se isso ajudar à nossa segurança, não tenho nada contra. Outro problema foi levantado pelos ingleses, que exigem que os menores não passem por essas máquinas. Os bifes têm medo de ver as suas crianças na Internet. Escusado será dizer que se as crianças ficarem dispensadas de passar pelo scanner, vamos ter uma nova geração de bombistas de onze anos de idade. E tudo porque os ingleses não querem ver crianças nuas. Que grandes maricas me saíram. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
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