Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Ontem, na tomada de posse da comissão eventual contra a corrupção, o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, disse esperar que dos trabalhos desta comissão pudesse sair “não um texto sociológico mas um conjunto de medidas legislativas que impliquem alterações ao quadro legal”. Vera Jardim, na sua resposta, afirmou não poder estar mais de acordo com o Presidente da Assembleia e reiterou que nessa comissão não se faria filosofia mas ia dar-se um contributo muito sério para defrontar este problema. Acho muito bem que tenham esclarecido estas questões logo no primeiro dia. Ia ser chato se no fim dos trabalhos da comissão Jaime Gama fosse obrigado a elogiar o excelente tratado sobre a corrupção que Vera Jardim e os colegas tinham escrito. Também não deixa de ser simpático que tenha havido esta troca de impressões em público. Tem alguma coisa de amigos, do estilo “epá, agora vejam lá se trabalham e não passam o tempo a engonhar”. Contudo, é perigoso se aparecerem imitadores no topo dos órgãos de soberania. Afirmar o que esperam e não esperam dos empossados para um qualquer cargo pode ser levado a mal. Um conselho do género “espero que faça alguma coisa de útil e não me escreva um livro a dar conselhos” pode chegar a ser ofensivo se dito sem a arte de Jaime Gama e a boa disposição da comissão eventual contra a corrupção. Não imagino um “espero isto e não aquilo” dito por Cavaco a Sócrates nem por Sócrates a Cavaco. Também não imagino o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça a dizer o mesmo ao Procurador-geral da República nem vice-versa. Bem vistas as coisas não vejo ninguém a dizer ou a escutar “espero não um texto sociológico mas um conjunto de medidas” sem que dê bronca. Só Jaime Gama e Vera Jardim. É estranho. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:55
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