Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

O primeiro-ministro de Irlanda do Norte, Peter Robinson, anunciou publicamente que a sua mulher, Iris Robinson, deputada na assembleia Stormon e no parlamento de Westminster, lhe foi infiel. Peter Robinson confessou que ao tomar conhecimento da infidelidade quis separar-se mas uma tentativa de suicídio da mulher fez-lhe ver as coisas sob outra perspectiva. Iris pediu-lhe perdão, Peter perdoou-a. E o que é mais importante para todos, Iris também pediu perdão a Deus e Deus, tal como Peter, também a perdoou. Esta última afirmação tem uma importância especial tendo em conta que o casal pertence a um ramo da igreja presbitéria extremamente tradicional. Ainda ninguém sabe como esta crise matrimonial vai afectar o bom povo da Irlanda do Norte. Robinson, obviamente, não vai demitir-se. A dúvida está mais do lado do povo que não está habituado a ser governado por um cornudo confesso. Este caso é importante porque ainda não aconteceu, pelo menos publicamente, uma situação parecida nos países importantes, sem querer ofender ninguém. Mas penso que não ia acontecer nada de grave. Por exemplo, se o marido de Angela Merkel fosse infiel, teria a simpatia não só do povo alemão como da própria Angela. Se a Bruni tivesse um caso extra-matrimonial, os franceses estar-se-iam nas tintas e tanto ela como o Sarkozy subiriam na consideração de todos os casais de França. Em Itália, o pior que podia acontecer era a esquerda nomear como herói da classe operária o homem que seduziu a mulher ou as mulheres de Berlusconi. Em Inglaterra, o caso só teria alguma relevância se os amantes fossem apanhados vestidos de palhaços ou de nazis em práticas sado-masoquistas. Nos Estados Unidos é mais complicado. Se Michelle Obama decidisse dar uma facada no casamento, com certeza os republicanos tomariam o adultério como mais uma derrota das políticas liberais do Presidente, e os democratas como uma prova de que as coisas estão a mudar na casa Branca. E, claro, Obama compreenderia e convidaria o amante da mulher para tomar uma cerveja e para lhe explicar que não é bonito andar a comer as mulheres dos outros. E o mundo continuava a andar. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:57
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