Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Talvez seja coincidência, talvez seja moda, talvez seja assim e não haja remédio, mas julgo que a realidade está monótona. O Ministério da Educação conseguiu um acordo com os professores depois de tudo o que sabemos que aconteceu. Todos estão, pelo menos temporariamente, contentes. Podíamos descansar um pouco depois de tanto desassossego. Mas não. Agora os estudantes entraram em cena e começaram a protestar. Os estudantes do Ensino Secundário afirmam que há alunos com processos no Departamento de Investigação e Acção Penal e que isso não pode ser. Os estudantes do Ensino Superior reclamam o alargamento das bolsas de estudo a um maior leque de alunos carenciados e exigem um reforço do financiamento do Ensino Superior no Orçamento de Estado, caso contrário vão tomar medidas. Juro que ainda não tenho opinião formada sobre estes assuntos, mas até acredito que ambos os sectores estudantis podem ter razão nas suas preocupações. Mas não podiam ter esperado mais uns dias? Acabámos agora mesmo com o tema dos professores. Tinha de ser já? Faz parte da eficiência da narrativa dar tempo para respirar. Agora devia haver cenas de amor e depois sim. Aí podiam vir os novos protestos e as novas recriminações dos novos contestatários. Outro exemplo de monotonia. Ainda há dois dias úteis que se chumbou a proposta de referendo para a lei do casamento de pessoas do mesmo sexo e já aí vem um referendo novo. O Partido Popular Monárquico quer começar a recolher as assinaturas necessárias para levar a Assembleia a discutir a possibilidade de ser convocado um referendo à República. Tal como os estudantes, não podiam ter deixado passar um tempo para refrescar o impacto da palavra “referendo”? Falta aos nossos cidadãos contestatários o sentido do “timing”. Normalmente, controlar a ansiedade é sempre uma boa política. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:55
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