Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Ainda não o vi o filme Avatar, mas pelas críticas negativas que li, estou à espera de ter umas quatro horas livres para o ver descansado. Tenho a certeza de que vou gostar. Mas, entretanto, estou empolgado com as consequências extra-cinematográficas que o filme está a suscitar. Os neurologistas alertam para os eventuais perigos da exposição das crianças à tecnologia 3D. Isto pode levar a uma reclassificação do Avatar, dos 6 para os 12 anos. É um dado indiscutível que o 3D é uma tecnologia nova, pouco experimentada, e acredito que seja preciso uma idade mínima neuronal para ser visto sem efeitos secundários. Por outro lado, mais precisamente pelos lados dos Estados Unidos, alguns fãs experimentaram a depressão e tendências suicidas depois de assistirem ao filme. Dito assim, é sem dúvida preocupante. Já não basta ter uma juventude exposta às drogas, ao desemprego, à incompetência político-financeira dos adultos para, ainda por cima, ter de levar com um filme que lhes pode provocar mais um esgotamento emocional e afectivo. Já para não falar de os incitar ao inútil suicídio. Para lhes estragar a vida já estamos cá nós. Não precisamos de uma superprodução de Hollywood, realizada pelo James Cameron, para complicar mais a vida aos nossos filhos. Felizmente, há jornalistas que tentaram compreender as causas destes efeitos melancólico-depressivos nos jovens espectadores do 3D. A resposta é que o público americano culpa o cenário idílico de Pandora, retratado em “Avatar”, e onde nunca poderão viver, como uma das causas para as profundas depressões. Ao saber que esta seria a causa provável do sofrimento dos adolescentes, fiquei mais tranquilo. Este sofrimento já nós o vivemos na nossa juventude. Esta frustração, esta vontade de acabar com tudo, em particular, com as nossas vidas, esta dor de sermos nós. Todos sentimos isto quando vimos pela primeira vez um filme com a Brigitte Bardot ou a Scarlett Johansson, ou com tantas outras idílicas Pandoras em 3D ou a preto e branco. Eu percebo a dor dos jovens americanos. Mas deixem-se de tretas. É só um filme. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:46
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