Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Foi ontem entregue uma petição com cinco mil assinaturas na Assembleia da República, a reclamar a suspensão do projecto de biotérios que a Fundação Champalimaud pretende desenvolver em Azambuja e a "proibição do investimento de fundos públicos na construção de outros biotérios comerciais". Um biotério é uma criação de bichinhos destinada à criação de animais para experiências científicas. Parece horrível e no fundo tem alguma coisa de filme de terror. Mas é verdade que muitos animais sacrificados no altar da ciência têm sido bastante mais úteis que outros sacrificados em altares místicos ou gastronómicos. Não gosto quando estão envolvidos animais próximos emocionalmente de nós, como cães, gatos, chimpanzés e outros mamíferos. Mas ratinhos? Não brinquem comigo. Qual pode ser a vida em liberdade destes ratinhos brancos de laboratórios? Seriam de certeza violados, comidos e torturados pelos ratos cinzentos, desses que fazem com que as meninas e alguns homens saltem para cima das cadeiras. Dar-me-ia, aliás, um certo prazer se fossem usadas cientificamente aquelas ratazanas imundas. Mas acredito que deva ser mais fácil de manipular e analisar os ratinhos pequeninos e branquinhos. É indiscutível que se salvam vidas humanas não há que andar por aí a complicar a vida dos cientistas. Porém, imagino que dessas cinco mil pessoas que assinaram a petição, uma parte acredita sinceramente que todas as vidas são valiosas, quer seja humana ou roedora. Mas também julgo que uma grande parte dessas pessoas se deixaram influenciar pelo ressurgimento dos filmes de animação. Ver um ratinho a cozinhar, pinguins a cometer actos de coragem ou complicadas coreografias e girafas apaixonadas por hipopótamos podem influenciar mentes impressionáveis. Não seria descabido que a comunidade científica se defendesse e responsabilizasse a Pixar, a Disney e outras do género por estar a impedir a salvação de milhares de vidas humanas por causa da antropomorfização dos sacanas dos bichos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:50
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