Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Nos próximos quatro anos, o Governo quer aumentar as vagas em Medicina em 15 por cento, revela a mais recente versão das Grandes Opções do Plano. Tendo em conta a percentagem de desistências dos estudantes no meio do curso, 15 por cento até me parece um aumento nada exagerado. No entanto, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, não concorda e acha que é médico a mais. Ontem, no Parlamento, advertiu para o perigo de se poderem “pôr em causa” as expectativas dos jovens e até lançar médicos para o desemprego com o aumento das vagas nas faculdades de Medicina. Também muito a propósito da possibilidade do futuro desemprego acrescentou que dificilmente uma pessoa formada em Medicina pode exercer outra profissão. Esta última afirmação não foi feliz. Aliás, a primeira também não. Sabemos de médicos que se dedicam a outras actividades, o primeiro nome que me vem à cabeça é o de Luís Filipe Menezes. Conheço directores de jornais que também foram médicos. Enfim, julgo que Pedro Nunes subestima a capacidade de desenrascanço dos seus confrades. A outra afirmação, aquela de desiludir as expectativas dos jovens, é muito protector da sua parte. Mas em termos democráticos, quero dizer em número de expectativas, normalmente há mais doentes e acidentados desiludidos que médicos inconsoláveis. Por outro lado, julgo que o senhor Bastonário devia confiar mais na Organização Mundial da Saúde. Sozinha conseguiu este ano pôr o tema da gripe A nas primeiras páginas dos jornais. Segundo as minhas contas, só não foram entrevistados trinta e quatro ou trinta e sete médicos portugueses. Números que comprovam o protagonismo mediático da classe médica. Mais pandemia, menos pandemia, auguro um futuro radioso para a profissão e não me surpreendia nada que se fizesse um reality-show só com médicos a discutir casos de pacientes em directo. Era a consagração. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:51
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