Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Amanhã vai ser apresentado o Orçamento de Estado, simpaticamente chamado OE. O CDS vai abster-se na votação. A esta decisão chamou-se “abstenção construtiva”. Isto porque as negociações com o governo para dar um voto a favor no OE socialista fracassaram. Contudo, a abstenção construtiva não foi de borla. Não terá sido muito cara mas alguma coisa o Paulo Portas deve ter conseguido. O PSD também não condenará nem aprovará o OE. Porém, a sua abstenção aparentemente foi de borla. Eles só queriam uma conversa educada e alguma demonstração púbica de respeito, como diria Tony Soprano ou algum rapper. E lá respeito conseguiram. Pode dizer-se tudo do Ministro Teixeira Santos mas ninguém poderá alguma vez afirmar que não é calmo e respeitoso. E foi com ele que Manuela Ferreira Leite conversou e, sem prometer nada, deixou cair, como quem não quer a coisa, que a bancada do PSD certamente não desaprovará o OE mas que de maneira nenhuma o governo pode estar à espera que o PSD dê sua aprovação a essa irresponsabilidade a que chamam OE. Era só o que faltava. Com um sorriso cúmplice, Teixeira dos Santos apresentou os seus respeitos à senhora e foi-se embora aos saltinhos, a bater com os tacões no ar. Como todos sabem, o governo conseguiu estas valiosas abstenções com duas ajudas fundamentais. A primeira é a crise do caraças, que faz com que ninguém queira fazer muitas ondas. O segundo empurrãozinho auxiliador veio do senhor Presidente da República. Cavaco Silva deixou claro que agora não é o momento para se armarem em divas. As próximas 24 horas podem ser excitantes. O governo já tem o apoio, embora passivo, dos partidos do centro e da direita. Tem a aprovação no papo. O que aconteceria se Sócrates fizesse uma ou outra modificação no Orçamento antes de o entregar amanhã? Nem o PSD nem o CDS vão ter coragem para votar contra e pôr a situação política num caos. Felizmente, o nosso primeiro-ministro não se vai aproveitar da situação. Mas tinha alguma graça. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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