Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Tenho pena mas nem para uma pequena sondagem de opinião serviu a pergunta se o busto da República devia ser mudado ou não. Quase unanimemente até os afrancesados dos mações negaram qualquer vaga intenção de o fazer. Isto tendo em conta que os franceses desde após a Segunda Guerra decidiram mudar de vez em quando a imagem de Marianne, nome dado à mulher representada como a República francesa. Já foi, inspiradamente, Brigitte Bardot. Mas também foi, pirosamente, Mireille Mathieu. Depois voltaram aos eixos com Catherine Deneuve, Inès de La Fressange e hoje em dia têm Letitia Casta. Eu acho bonito e muito republicano isso de mudar a cara do símbolo. É claro que os franceses usam certos valores não exclusivamente democráticos. Se por um lado todas foram famosas e admiradas por todos, também todas, a não ser a Mathieu, foram e são mesmo muito belas. Isto é um critério sensatamente elitista. A nenhum francês passaria pela cabeça usar Marguerite Duras ou Simone de Beauvoir, só para mencionar duas francesas famosas, mas não muito atraentes. Se em Portugal tivéssemos republicanos menos pomposos e ciosos dos seus símbolos, também podíamos mudar as caras da nossa senhora da república. Para já devíamos começar por lhe dar um nome. Devíamos evitar as Marias e as Anas, para não sermos injustamente acusados de sermos afrancesados ou mações. Por agora vamos tratá-la por Manuela. Depois vamos admitir as oportunidades perdidas. Como, por exemplo, termos a cara de Amália Rodrigues onde quer que a Manuela fosse precisa. Com certeza Beatriz Costa teria tido a sua oportunidade. E, vá lá, também Lurdes Norberto nos anos sessenta. Nos anos setenta, aliás, só a modelo Dalila ou Ana Zanatti podiam ter estado à altura das funções republicanas. Nos oitenta e noventa a única Manuela indiscutível teria sido Sofia Aparício. Enfim, como vêem, os republicanos perderam a oportunidade de fazer destas celebrações uma festa participativa em que todos teriam a oportunidade de propor uma nova Manuela. E tinha sido tão bom para nos distrair do resto. Sobretudo das actuais instituições republicanas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:51
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO