Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Mário Crespo é a figura do dia, a frase da semana, o jornalismo que não ousa dizer o seu nome. Enfim, tudo o que era preciso para podermos falar do que mais gostamos e que é falar mal de alguém. Para começar é preciso apreciar a história que deu lugar ao artigo, que, por sua vez, deu lugar à censura que deu lugar à demissão do Mário Crespo do Jornal de Notícias, que deu lugar as declarações de solidariedade e de repúdio aos intervenientes, que dá lugar a um livro que se vai editar e que dará lugar a uma outra coisa que dará lugar a outra qualquer até que assim nos fartemos. Só de imaginar a sala do restaurante do Tivoli tenho a sensação de estar num filme de Hitchcock. Numa mesa está o director de uma estação de televisão privada a almoçar calmamente com a estrela mais mediática e alta do canal. Eles não sabem mas noutras mesas almoçam outras pessoas menos conhecidas mas amigas de um famoso jornalista do mesmo canal. De repente entra na sala nada menos que o senhor primeiro-ministro acompanhado de mais dois outros ministros. Os comensais do restaurante fingem que não o vêem por uma questão de educação e porque fica bem fazer de conta que tudo é normal e que todos os dias nos encontramos com altas personalidades do governo e dos media. O governante, sempre à vontade em qualquer sítio onde se fale português, cumprimenta simpaticamente o director do canal e a bela acompanhante, por acaso, mulher de um ex compagnon de route. Aqui é que a história se complica. Há três versões. A primeira é que o primeiro-ministro, cansado de andar de discutir o Orçamento de Estado, disse que o Mário Crespo que era isto e o outro e tudo em voz alta para quem quisesse ouvir. A segunda versão, é que o PM, conhecido pelos seus dotes de galã, quis fazer uma piada ao director do canal para fazer rir a acompanhante e fez de conta que na SIC existia uma coisa parecida ao jornal da sexta-feira da TVI e que se devia tomar medidas espanholas. Todos riram. Mas os vizinhos de mesa, amigos do jornalista visado, não gostaram. Rapidamente tiraram os iPhones e os Blackberrys e informaram o alvo das críticas. A terceira e última versão é que nada disto aconteceu e tudo não passa de uma manobra para nos fazer esquecer os problemas que realmente afectam o país. Esta versão é acarinhada pelos colaboradores mais próximos dos ministros comensais. É com acontecimentos destes que se faz a história de uma nação. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:02
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