Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

A Polícia Judiciária reconheceu, pela primeira vez, a existência de esconderijos da ETA em Portugal. O director nacional da PJ, Almeida Rodrigues, admitiu a presença organizada dos separatistas bascos no país após elementos da GNR de Óbidos terem descoberto, no final da tarde de quinta-feira, em Casal da Avarela, uma casa onde se teriam escondido pelo menos dois activistas da organização. Foram apreendidos oitocentos quilos de explosivos. Também viemos a saber que dois alegados membros da ETA escaparam a um controlo policial na segunda-feira. Parece que logo a seguir foram à casa de Avarela e fugiram nessa mesma noite. Ora bem, na fuga deixaram as luzes acesas e as portas da frente abertas. Muito descuidados estes terroristas. Se não fosse assim, ainda tínhamos uma casa portuguesa na aldeia cheia de explosivos. Tudo se descobriu graças a um vizinho que desconfiou. É normal. Três dias com as portas abertas e as luzes acesas, assim também eu suspeitava. Imaginem quanto mais suspeitou o tal vizinho, que ainda por cima pertence à PSP das Caldas da Rainha. Aliás, nem era o único vizinho que pertencia às forças de segurança. Havia pelo menos mais dois. Também é curioso que até esse momento os vizinhos da aldeia estavam convencidos de que os espanhóis do lado eram bichas. O mais jovem ficava sempre em casa e o mais velho é que fazia as compras e nunca viram raparigas a entrar ou sair. Finalmente, não era um casal espanhol homossexual mas apenas eram dois amigos que partilhavam a casa. No fim-de-semana anterior a estes acontecimentos até houve uma festa que não alarmou ninguém. Não devem ter rebentado bombas, nem içado bandeiras esquisitas nem cantaram canções incompatíveis com o nosso modo de vida. Esta história tem dois ensinamentos. O mais óbvio é para os terroristas: se fugirem fechem a porta e apaguem as luzes. Um português aguenta tudo menos que se deite assim dinheiro pela janela fora. O segundo ensinamento é para aqueles que estão contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Eis um exemplo em que a heterossexualidade não é uma garantia da defesa dos valores tradicionais. Se não acreditam, perguntem à boa gente de Casal de Avarela. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:09
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO