Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

O Presidente da República defendeu ontem não haver "razões para qualquer alarmismo social" por causa dos explosivos encontrados na casa de Óbidos, usada pela ETA. Palavras sensatas, visto que não explodiram. Também foi educado ao afirmar que as "instituições judiciárias lidaram e estão a lidar bem com este caso". Não mencionou que tivemos uma sorte do caraças por os terroristas terem deixado as portas e as luzes acesas e, que se não tivesse sido pelo vizinho que alertou a GNR, um polícia forreta indignado por três dias de luzes acesas, ainda tínhamos uma casa cheia de explosivos. Obviamente, um Presidente sério não pode agradecer à deusa da Fortuna por não ter acontecido uma desgraça portuguesa nem uma tragédia espanhola. Não tem outro remédio ao não ser felicitar a astúcia e a eficiência das nossas forças de segurança. Até aqui tudo bem. Eu tinha feito o mesmo. Mas pode-se fazer melhor. Nesta visita à sede da GNR, no Quartel do Carmo, Cavaco Silva afirmou sabiamente que "é normal que uma sociedade aberta, como a portuguesa, seja confrontada com novos desafios”. É verdade que quanto mais aberta é uma sociedade, mais vulnerável está às acções de grupos concentrados em objectivos pontuais sem problemas morais. Sei lá, do tipo o paraíso vale bem cinquenta mortos. Por isso concordo com o nosso Presidente que devemos defender-nos desta gente. Mas há maneiras mais sérias e saudáveis de explicar nossa vulnerabilidade e apelar ao empenho na defesa do nosso país. O senhor Presidente não pode dizer que um dos novos desafios com que nos confrontamos é a penetração em território nacional de elementos de forças extremistas. Para já, a penetração não é uma coisa má em si. Segundo, os nossos novos desafios não é tanto sermos penetrados, coisa que, suponho eu, não passaria despercebida, mas sermos utilizados discreta e gentilmente como barriga de aluguer dos bebés da ETA. Sendo, neste caso, os bebés uma metáfora dos planos dos terroristas anacrónicos bascos. Este é que é o nosso problema. Não quero ser usado e muito menos por aqueles trogloditas bombistas. A ETA não nos penetra: simplesmente, não nos respeita. E isso não se faz. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:26
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