Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

O Ministério das Finanças alemão está em festa. Os contribuintes alemães que fogem ao fisco estão a apresentar-se voluntariamente às autoridades, depois de o Governo ter anunciado a compra de um disco secreto com o nome de mil e quinhentas pessoas com dinheiro escondido na Suíça. Já vai em mais de trezentos cidadãos. A Alemanha deverá ter pago dois milhões e meio de euros a um informador e estima-se que poderá angariar mais de 100 milhões de euros. A compra desta informação é muito contestada no país, mas o governo alemão nisso não é muito diferente dos outros. Aliás, o que lhes poderá acontecer que não lhes tenha já acontecido? A Suíça é que está chateada. Todos sabemos como é difícil tirar os nabos das púcaras bancárias suíças. Mas, mais uma vez, o que pode a Suíça fazer? A Alemanha deve ser um dos seus mais velhos clientes. Sobretudo desde que o império Austro-húngaro veio abaixo. Mas o que nos interessa é o pormenor ilegal da história. Embora o problema ético não seja de somenos: o direito do individuo, o bem público e a legalidade do Estado para executar certas acções. No entanto, se um governo pode comprar uma informação tão ciosamente guardada, como são os nomes dos clientes para um banco suíço, cabe-nos perguntar se o sigilo bancário é um papão legal utilizado só para atrair clientes ou para proteger só alguns clientes. Algo assim como um sigilo discricionário. Se fosse assim e eu fosse suíço ou cliente ficava pior que uma barata. Então aquela treta de ditadores e sacanas do pior cujo dinheiro na Suíça é intocável ou cujos números são impossíveis de aceder não passavam de contos do vigário? Não acredito que o único bufo que existe na Suíça tenha sido o bufo que o governo alemão encontrou. Ainda por cima barato: dois milhões e meio para ganhar cem milhões – há até quem diga que podem ser quatrocentos milhões – é mais que um bom negócio. Para mim, é doloroso ver um mundo que se desfaz: o Comunismo na China, o Blockbuster em Portugal e o sigilo bancário na Suíça. O que mais poderá acontecer? Jovens da Juventude Socialista no Conselho de Administração da Portugal Telecom? Telenovelas portuguesas com vampiros? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:30
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