Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, foi escolhido pelos países da Zona Euro para vice-presidente do Banco Central Europeu. Como é natural, há pessoas que se congratulam com a notícia e outras que não. Normalmente, congratulo-me sempre com quem consegue um trabalho honesto. E se é bem pago, então, congratulo-me duas vezes. Se é no estrangeiro, choro de alegria pelo homem. Vai fazer-lhe bem. Não há nada melhor que viver no estrangeiro para ver as coisas com distância. Estar longe ajuda. Não concordo com o Bloco de Esquerda que afirma que foi «um prémio» pelas «posições que o Banco de Portugal tem assumido face ao seu exercício de entidade reguladora», que tem tido «demasiadas falhas». Há ingenuidade típica da esquerda numa afirmação destas. Todos sabemos que nem as boas acções são premiadas quanto mais as falhas! Agora se foi dito com ironia, eu percebo. Mas para a próxima tem de ser dito com outra cara e outra inflexão de voz. Por outro lado, penso que estão a sobrevalorizar a nomeação do Constâncio. Ele vai substituir o grego Lucas Papademos. E sem querer ser ingrato para esse povo, nos dias que correm, substituir um grego não fica bem em nenhum curriculum. Outro erro cometido é pensar que o Constâncio vai desempenhar funções similares às que tem como governador do Banco Central. Não! De maneira nenhuma! Por amor de Deus! Ele vai fazer contas, comparar preços, controlar a inflação, e continuar a fazer contas. Não tem de supervisionar a ponta de um corno. Já todos sabem que o homem não é bom nisso. Também não gosto que se insista que é nomeado para defender os interesses da Alemanha só porque foi o país mais importante que insistiu na sua nomeação. Isto é pura inveja. A Alemanha é a locomotiva da Europa, como tão poeticamente a tratam os analistas. Na verdade, é a patroa. Ser escolhido pela patroa é bom. Faz bem ao ego e dá confiança. E se há alguém que precisa de confiança e carinho é Vítor Constâncio. Ele vai ocupar este lugar nos próximos oito anos. De que é que o Bloco se queixa? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
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