Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, desmentiu as notícias que o acusam de ter ataques de cólera com alguns elementos da equipa e de ter mesmo chegado a usar a violência física. Tudo começou com um livro publicado recentemente por um jornalista britânico, Andrew Rawnsley. Brown é acusado de em momentos de fúria ter gritado com funcionários, agarrado um assessor pelo colarinho e esmurrado o banco de um carro, levando um colaborador que o acompanhava a encolher-se com receio de ser atingido no rosto. O autor do livro explica que "os eleitores devem conhecer toda a verdade sobre o carácter de Gordon Brown". Julgo que esta pequena polémica que está a ocupar as páginas dos jornais britânicos tem mesmo que ver connosco. Um dos temas que electrizam os portugueses é quando começa a vida pública e a privada. Um primeiro-ministro colérico será necessariamente um mau governante? Ou dito ao contrário, um governante bem-educado, tolerante e paciente, será o melhor líder? A história já nos disse que não devemos confundir o rabinho com as calças. Tanto pode ser assim como o seu contrário. O saber popular diz-nos que as aparências enganam. O jornalismo de investigação, sobretudo o amarelo, lembra-nos constantemente de que vamos acabar por ser acusados de alguma coisa. É por isso que acho que o assunto da privacidade é um assunto que já não controlamos. Vivemos num mundo em que os anónimos querem ser famosos e os famosos querem, às vezes, ser anónimos. As figuras públicas são públicas. Para o bem e para o mal. Mas ao contrário do matrimónio, não será até que a morte nos separe, mas até que o público, o povo ou o negócio se interesse. Entretanto, como se dizia na minha terra, quem quer ser avestruz, tem de suportar o ovo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:29
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