Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

Fernando Nobre, o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI) e também candidato à presidência da República, “decretou” hoje o fim da campanha para o Haiti, anunciando o arranque de uma nova campanha a favor dos desalojados da ilha da Madeira. Apelou também à união de todos, uma vez que "ninguém garante que amanhã ou depois de amanhã não volte a acontecer uma situação semelhante" noutros pontos do país. A parte da união e de que amanhã, salvo seja, nos pode voltar acontecer uma desgraça, eu percebo. O que não percebo, é que a Madeira esteja mais aflita que o Haiti ou que os nossos serviços nacionais não possam fazer o trabalho que lhes compete. Mas quem sou eu para discutir com um candidato à Presidência da República e presidente de uma organização internacional? Aliás, Fernando Nobre, que viajou tanto e viu imensas calamidades, deve saber o que faz. Longe de mim querer dar a impressão de ser um ingrato. Toda a ajuda ao povo madeirense é bem-vinda. Contudo, tenho medo de que as catástrofes sejam viciantes. Há pessoas para quem conduzir depressa, fazer bungee jumping ou pára-quedismo aumenta a adrenalina. Ajudar populações em perigo pode provocar o mesmo. O Haiti foi terrível mas já passou bastante tempo. Prova disso é que a China ainda agora lhes vendeu cinquenta mil tendas. A humanidade tem tendência a habituar-se aos desastres. A China, farta dos caribenhos, não deu as tendas, mas vendeu-as ao país mais pobre do mundo. Um pouco o mesmo pode estar a acontecer com a malta da AMI. Já ali estão há algum tempo. É sempre a mesma coisa. Começa-se a cair na monotonia e pumba! O aluvião na Madeira. Outro desafio, outros problemas, outra cultura. É irresistível. Também é possível que a AMI tenha feito tudo o que podia pelos haitianos. Porque não? Se calhar terminaram o trabalho. Pode ser. Uma coisa deve ficar clara. Eles vêm para a Madeira porque julgam que são precisos. De maneira nenhuma temos de pensar que o candidato à Presidência meteu uma cunha ao presidente da Ami. E muito menos que é por o presidente da AMI ser candidato à Presidência da República que a AMI vem cá fazer ajuda humanitária. Nada de má-língua. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:43
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