Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

As audições da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura são uma chatice. De tempo em tempo ouvimos alguma coisa engraçada mas que também podíamos ouvir num jantar entre amigos. As perguntas também não são lá grande espingarda e as divagações retóricas reproduzem-se entre orgias de formalidades que não conseguem dar forma às sessões. Mas a minha opinião não interessa. Estou condenado a ouvir todas as audições. Ontem, houve um pequeno incidente na sessão em que a estrela convidada era o jovem ex-administrador executivo da Portugal Telecom, Rui Pedro Soares. Se fosse um reality-show, podia dizer-se que ele não deu o seu melhor nem foi ele próprio. Como estratégia, Soares optou por responder às perguntas com as declarações já feitas pelos seus chefes da PT em entrevistas. Houve um momento emocional mas não espontâneo. Soares tentou provar a sua isenção e honestidade profissional afirmando o seu amor genealógico ao FC Porto e que nem por isso tinha impedido o S.L. Benfica de reconhecer as suas qualidades. Foi um momento alto da audição. Não que o FCP precisasse de uma declaração de amor pública deste senhor mas porque foi interrompida pelo próprio presidente da Comissão de Ética, o Dr. Luís Marques Guedes, que, diga-se de passagem tem cá uma cara de lagarto que não engana. Contudo, admito que não confirmei. Se não é, devia ser. Esta interrupção mereceu um protesto de um deputado socialista. Não fixei o seu nome nem a sua preferência clubista. Embora, cheirou-me a lampião. Coisa que faria todo o sentido. O desejo de ouvir o final da exposição do Rui Pedro Soares e o protesto ao presidente por ter interrompido exactamente no momento em que ia ler uma carta enviada pela direcção do Benfica ao ex-administrador só podia vir de um benfiquista e de bom pai de família. Houve uma série de declarações todas muitas formais e muito educadas mas que não souberam ocultar um sincero mal-estar, quase ódio. Enfim, foi um momento tenso entre as três entidades clubistas. No fim da audição acabou tudo no mesmo. Nada de substancial. Ao menos quando vão os jornalistas, sempre contam umas histórias giras. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:17
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 27 de Fevereiro de 2010 às 00:35
ah!ah!ah!
gostei particularmente da parte
Dr. Luís Marques Guedes, que, diga-se de passagem tem cá uma cara de lagarto que não engana.

sobretudo porque fiquei a saber o nome do senhor , que não sabia, apesar de lhe achar a voz quase tão boa como a do james mason


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