Segunda-feira, 1 de Março de 2010

É dado como um saber adquirido que o cinema fez uma contribuição inestimável para a educação sexual da humanidade. Sobretudo para as pessoas com falta de imaginação ou falta de leituras. Também o seu contributo para a investigação ou perpetração de crimes tem sido valiosíssimo. Há décadas que os delinquentes só deixam impressões digitais por preguiça ou desafio. Há criminosos que antes de matar a sogra se vestem com fatos de técnicos de centrais nucleares só para não deixar uma gota de saliva nem um cabelinho na cena do crime que os possa denunciar. Mas são apanhados na mesma. Não falar com os cúmplices ao telefone é uma prática renovada desde os anos cinquenta. Só o excesso de confiança ou a convicção de que não estão a fazer nada de mal nem a dizer nada que não pudessem dizer olhos nos olhos, como agora se diz, os impede de ter cuidado. Até o mais burro dos assassinos sabe que desfazer-se do cadáver ajuda muito na sua defesa e prejudica imenso a investigação. Até os meus sobrinhos que ainda vêem o Noddy sabem que se deve desfazer de qualquer prova incriminatória. A televisão, o cinema e as leituras certas ajudam os profissionais a serem melhores, quer sejam criminosos ou homens da lei. Mas faz parte da nossa humanidade não aprender com os erros dos outros. Temos de ser nós a meter os pés pelas mãos para perceber como se fazem as coisas. Vejam o caso noticiado pelo Diário de Notícias sobre a carta anónima, que afinal não era anónima, e que foi enviada ao Armando Vara. A carta advertia das escutas. Indicava acima de tudo que o próprio Sócrates estava a ser escutado. E até dava um número de telemóvel para responder a qualquer dúvida que o Armando tivesse. Este pormenor é insólito e extremamente querido por parte do bufo. Vara afirmou que não tinha acreditado na carta e não deu importância. Guardou-a na gaveta da sua secretária, onde meses mais tarde a PJ a descobriu. Os criminologistas perguntam por que razão Armando Vara guardou a carta. Os amigos de Vara perguntam porque é que não acreditou nela. E todos perguntam se Armando Vara não terá televisão em casa. Com tantas séries policiais instrutivas que andam a dar... Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:44
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