Terça-feira, 2 de Março de 2010

Ontem, após o encontro no Palácio de São Bento, em Lisboa, o Primeiro-ministro José Sócrates falou aos jornalistas tendo a seu lado o Presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, que também falou um bocadinho. Sócrates anunciou as três áreas prioritárias da reconstrução após o destrutivo temporal do Funchal. As áreas foram decididas em comum acordo entre o governo regional e da República. “Restabelecer as condições de vida dos desalojados, restabelecer a vida económica com o apoio ao sector privado e restabelecer as infra-estruturas públicas”. Objectivos totalmente sensatos e apropriados. Ninguém podia estar à espera de mais e ninguém se conformaria com menos. A parte irritante deste momento solidário e nacional esteve nas expectativas de alguns políticos e analistas. Pareciam surpreendidos com a atitude de Estado de Sócrates e com a boa educação de Alberto Jardim. Ouvi dizer que a infelicidade da Madeira tornou Jardim numa pessoa contida ou Sócrates num governante compreensivo ante a desgraça. As pessoas são muito emotivas e não resistem a uma boa cena de reconciliação e ternura. Os rivais na política enterram o machado de guerra mesquinho em prol de uma causa maior e generosa. Não digo que não seja verdade. Mas é evidente que quem se aproveitasse de uma calamidade para contar espingardas ou para ganhos políticos seria uma pessoa muito feia e má. Não duvidemos das boas intenções destes dois governantes nestes momentos difíceis. Mas também não exageremos. Nos últimos tempos as lutas políticas tornaram-se tão medíocres e pequeninas, que quando vemos os nossos governantes empenhados numa causa comum e boa, nos apetece chorar baba e ranho. Esquecemos que a política em democracia foi feita para sermos solidários e resolver os problemas da comunidade. Quando de facto isso acontece, ninguém resiste a desconfiar e a todos custa acreditar. Mas acreditem. Como quando acontece uma desventura numa família, o sossego será temporário e acabará depressa. No entanto a calma que vivemos é sincera. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:32
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO