Quinta-feira, 4 de Março de 2010

A visita do Papa em Maio é uma excelente notícia para todos. Mas não nos enganemos. Ele não vem cá por nós, mas por Fátima. Não é que me importe mas devemos pôr os pés na terra e dar os créditos de tão excelsa visita a quem merece. Por mim, não me ofende que o Papa venha a Portugal porque não tem outro remédio. Já todos fizemos alguma coisa de que não gostávamos por motivos muito menores que Maria, Lurdes ou Fátima. A visita de um Papa é um acontecimento internacional, embora não seja directamente lucrativo ou tenha efeitos políticos em países calmos e europeus como o nosso. Estou a falar, claro, para os não católicos porque aos católicos não vou ser eu a ensinar-lhes a missa. Pessoalmente, gosto muito de Bento XVI. Num mundo onde todos lutam pela popularidade, a aceitação maioritária e a aprovação de todos, Ratzinger é um líder religioso solitário sem um pingo de demagogia ou simpatia estúpida. Parece que vai dar uma missa no Porto e outra em Lisboa. A Câmara do Porto paga o altar na Avenida dos Aliados. Coisa que só lhe fica bem, embora tenha tido sorte. Em Lisboa houve uns arquitectos empolgados em serem parte da História que inventaram um altar inspirado num seixo do Tejo que dizem ser o máximo. A celebração no Terreiro do Paço vai custar 200 mil euros. Sabemos que em Portugal os orçamentos previstos são sempre baratos. Com certeza a Igreja Católica acolheria com satisfação a contribuição da Câmara Municipal de Lisboa para o altar da missa que o Papa vai celebrar. A autarquia não recebeu qualquer pedido para tal coisa. Mas suponho que, sendo nós os anfitriões, não é mais que a nossa obrigação pagar a festa, ou neste caso, a missa. Por outro lado, o Papa não tem culpa de o projecto aprovado do altar previsto custar um olho da cara. Sobretudo em Portugal, onde, sendo os orçamentos o que são, vai acabar por custar os dois olhos da cara. Espero que o simpático laico António Costa não seja também um simpático sovina. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:47
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