Sexta-feira, 5 de Março de 2010

Penso que já ficou claro que para o resto do mundo Portugal não é a Grécia. O nosso Presidente foi ainda mais longe e não só confirmou que não somos a Grécia como também esclareceu não somos a periferia de Espanha. Também ficou claro que estas auto-afirmações da nossa individualidade e independência são um produto dos maus momentos por que estão a passar a Grécia e a Espanha. Nós não estamos muito bem mas a nossa dívida não é ainda de trezentos mil milhões de euros nem fomos apanhados a fazer batota como os gregos. É ingrato deixar aos gregos entregues à sua própria sorte, mas compreendo que não podemos fazer muito por eles. Com a Espanha é diferente. Suponho que por ter sido entrevistado por um jornal espanhol, Cavaco Silva teve o reflexo atávico de relembrar que somos mais antigos como país que os nossos vizinhos. Mas não dá bom aspecto que o nosso mais alto representante se deixe levar e relembre aquilo que é uma evidência. Mas continuo a achar de mau gosto que nos afirmemos oficialmente pela negativa. “Não somos a Grécia nem somos Espanha”. Creio que a impaciência misturada com o assobiar para o lado da Alemanha está a influenciar este desprezo colectivo pelos países com dificuldades. Não nos podemos deixar levar pela má-língua germânica nem pela sua sovinice. Estarmos a estar a viver um mau momento económico não é razão para nos esquecermos dos bons momentos e das nossas origens. Não somos a Grécia batoteira e na bancarrota e mas temos muito deles. Não somos a periferia da Espanha mas é o nosso único vizinho desde que nascemos. Da mesma forma, por mais complicado que seja o presente italiano é impossível desprendê-lo da nossa genealogia. Devíamos reunir com os gregos, espanhóis e italianos e ir para os copos. Falar dos bons velhos tempos. Já todos os tivemos e não foram assim tão poucos. Se os alemães estão nervosos com os défices mediterrânicos, é só porque são jovens e têm as hormonas financeiras aos saltos. Nós estamos cá há séculos e já vimos pior. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:48
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