Terça-feira, 9 de Março de 2010

Segundo as contas da agência Lusa, os prejuízos provocados pelo mau tempo, já declarados por diversas entidades, ascendem a pelo menos um milhão e quinhentos e dois mil de euros. Segundo os cálculos dalguns jornais esta verba quase dava para pagar a terceira ponte sobre o Tejo, com um custo estimado de 1,7 mil milhões de euros. Mas se preferissem o TGV, esta quantidade de dinheiro também dava para pagar a parte portuguesa na ligação em alta velocidade entre Porto e Vigo (orçamentada em 1,4 mil milhões de euros). Se alguém que me escuta tivesse preocupações com a ecologia e odiasse as obras públicas, podia cobrir o total de 1,4 milhões de euros exigidos na cimeira do Ambiente de Copenhaga pelos países menos desenvolvidos para se adaptarem às alterações climáticas. São números impressionantes, mas os exemplos dados para termos uma ideia dos prejuízos são incompreensíveis para mim. Para já, não significa que os prejuízos davam para pagar fosse o que fosse. A intenção será convencer-nos de que se não fosse o mau tempo teríamos dinheiro para fazer todas estas obras? Ridículo. Não temos dinheiro para suportar uma tormenta das boas muito menos teremos para fazer obras públicas. A outra possibilidade é insinuar que se pudéssemos vender as nossas tempestades conseguíamos recolher verbas suficientes para fazer as tão desejadas obras públicas. Este seria um delírio de dimensões tsunamianas. A ideia será dar uma medida compreensível dos custos dos estragos a qualquer ser humano e português? Se for essa a intenção não chegam lá assim. Podiam tentar com analogias que preocupam mesmo ou provocam dor de corno ao português médio. Por exemplo, se disserem: “O mau tempo custou os salários de um trimestre dos administradores da PT, da EDP e do Banco Espírito Santo todos juntos”, assim já começavam a perceber a gravidade dos temporais. Outra maneira de chegar ao coração lusitano era afirmar que íamos precisar de vender quinze Ronaldos para deixarmos as coisas como estavam antes do mau tempo. Agora sim, teríamos uma ideia da calamidade material deste terrível mês de Fevereiro. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:24
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