Quarta-feira, 10 de Março de 2010

Pouco a pouco começamos a perceber qual é o valor ou a importância das audições da Comissão de Ética. As conclusões a que chegar vão ser de somenos importância. As intervenções e as perguntas dos deputados nunca foram grande coisa, e, o que é pior, repetem-se escandalosamente. Não houve uma única vez em que, a seguir a uma resposta dada pelo auditado, o deputado seguinte tentasse aprofundar ou desenvolver as implicações da resposta anterior. A Comissão propriamente dita é totalmente inútil. Porém, o mais interessante são os auditados. E mesmo eles não o são por causa das respostas, mas devido à atitude e ao papel que desempenham em todo este imbróglio e no que têm a perder ou a ganhar com esta exposição. Isto faz com que todos os presumíveis responsáveis pela ingerência nos meios de informação pareçam mais presumíveis depois de terem participado ou não na dita Comissão. Por exemplo, Rui Pedro Soares, essa jovem estrela em ascensão, não convenceu nem a sua própria mãe. Saiu mais presumível que antes de responder. O mesmo diria de Armando Vara ou de Paulo Penedos. Ambos saíram das audições mais alegados do que entraram. Do outro lado do ringue, Mário Crespo e sua vocação nunca antes realizada de mártir desdramatiza a incompetência do director do Jornal de Noticias. Da mesma maneira que a imprescindível paranóia de um bom jornalista de investigação, como é o caso de Felícia Cabrita, pode soar, erradamente, demasiado conspirativa para ser levada a sério. Aqueles que não tinham nada ver com a origem desta comissão parlamentar mostraram sem querer algumas das verdades mais profundas. António Costa, o director do Jornal Económico, não o Presidente da Câmara de Lisboa nem o jogador de futebol, foi maravilhoso. Segundo ele, tudo pode acontecer. Basta fazer o que a consciência nos dita, desde que esteja em harmonia com a dos patrões. Penso que, de todos os auditados pela Comissão, este homem é o mais feliz de todos. O seu mundo, onde a liberdade e o interesse nunca colidem, provoca-me inveja. Lembra-me o filme Avatar. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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