Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Em entrevista à Lusa, Fernando Pinto, o presidente da TAP, considerou que as greves “são algo do século passado”, referindo que retiram “completamente a capacidade da empresa de melhoria não só do salário como de competitividade”. Esta afirmação veio a propósito de os pilotos da TAP estarem a discutir ontem, em Assembleia-geral, as medidas a adoptar para resolver o impasse do processo negocial que têm com a empresa. O secretário-geral da CGTP não se fez esperar e respondeu que era uma afirmação inquestionavelmente retrógrada. Carvalho da Silva lamentou que Fernando Pinto, e passo a citar, “pertença a um grupo de gestores com a mesma mentalidade do século dezanove”. Como podemos verificar, esta aguerrida troca de ideias é interessante. A favor de Fernando Pinto podemos dizer que nestes momentos de crise e desemprego a ideia de fazer uma greve é um luxo de outros tempos. Que há muitas empresas a fechar, a TAP não está lá muito bem e que se todos nos déssemos as mãos ninguém nos venceria e faríamos da TAP líder do mercado, blá, blá, blá. Eu até podia acrescentar que nos dias de hoje de iPad, iPod e iPhone, os trabalhadores deviam encontrar formas de luta mais tecnológicas ou sofisticadas. O velho estilo de não ir trabalhar é muito fácil e fazer marchas é muito cansativo. Por seu lado, Carvalho da Silva não se esqueceu de cumprir o seu dever de lembrar o inalienável direito à greve dos trabalhadores. Fico satisfeito com o nível de discussão destes senhores. Ultimamente é difícil assistir a discussões onde não se tratem por “mentirosos”, “hipócritas” e coisas ainda piores. No entanto, isso de acusar que eles parecem do século vinte e responder “e tu? Se tu não és do dezanove então não sei às quantas ando”, admitamos que é um pouco infantil. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:06
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Comentários:
De Laura a 12 de Março de 2010 às 13:30
Caro Carlos Quevedo, me sirvo desse espaço, no qual caberia melhor um comentario sobre a esdruxula declaraçao do Sr. F P, para fazer-lhe uma pergunta sobre a citaçao da ediçao portuguesa de "À procura do tempo perdido", Livros do Brasil, 1965, em texto de sua autoria (e Rui Zink), publicado na revista Kapa, conforme indicaçoes do blog "senhorasocrates", onde encontrei a referida citaçao. Interessada nas traduçoes em lingua portuguesa de "À la recherche du temps perdu", Marcel Proust, tentei localizar o livro sem sucesso. Gostaria de saber se a ediçao a que se refere é de fato uma ediçao real, publicada em 65 com aquele titulo. Em caso afirmativo, me interessaria saber o nome do tradutor e sua nacionalidade, se ha prefacio, nota ou comentario sobre a traduçao e a escolha do titulo, enfim, toda informaçao possivel sobre esta traduçao e as ediçoes com o titulo "À procura" em vez de "Em busca...." Agradeceria muito sua resposta. Obrigada
Laura (escritora e tradutora brasileira)


De Carlos Quevedo a 14 de Março de 2010 às 19:35
Cara Laura, com muita pena lhe digo que a tal edição da Recherche em português não existe. Todas as edições citadas naquele artigo foram inventadas. O artigo foi escrito na redacção da revista K. Morávamos longe, o que nos impedia consultar as nossas respectivas bibliotecas e a internet não existia naquela altura. Peço desculpa se lhe provocámos alguma falsa esperança. No entanto, aproveito para lhe agradecer ter utilizado a minha caixa de comentários. Os meus cumprimentos.


De tv online a 24 de Novembro de 2010 às 23:43
Vi na televisão que a greve geral registou grande adesão, segundo os sindicatos. Já o Governo desvaloriza os números, situando a adesão nos 18%. Mais uma vez as conclusões divergem.


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