Sexta-feira, 12 de Março de 2010

O Conselho Nacional de Cultura foi reactivado e foram criadas duas novas secções: artes e tauromaquia. A tauromaquia é uma das áreas que, desde os anos 80, faz parte das competências do Ministério da Cultura. É normal que assim seja, sendo este um espectáculo que movimenta muita gente. Alguém tem de velar pela segurança dos espectáculos artísticos e a promoção e defesa dos autores. E, por enquanto, a tourada é uma actividade legal e até bastante popular. Contudo, este anúncio despoletou os habituais bandos a favor e contra as touradas. A nossa muito elegante Ministra da Cultura comunicou que “não tem uma posição pessoal sobre a tauromaquia”, mas este é um sector que está sob a alçada do ministério e, como tal, “tem que ser regulado. Não podemos fazer de conta que não existe”. Quem lhe dera! É engraçado que só pelo facto de ter enquadrado a tauromaquia para efeitos de organização ministerial, Gabriela Canavilhas tenha aberto as adormecidas hostilidades entre a malta do costume e mal ela sabe com quem se meteu. Entre os membros da Animal e a rapaziada do Ribatejo vai ser preciso ter muita paciência. Gabriela abriu a caixa de Pandora e lá dentro encontrou o Minotauro. Mas nem todas as notícias são más para a ministra. Aqui ao lado, naquele país onde as touradas são mesmo a sério e se matam pelo menos seis touros por espectáculo, há muita gente a querer abolir a carnificina. A questão é se a ministra do ministério que tutela as touradas tem direito a não ter uma posição pessoal sobre o tema. A neutralidade parece-me um dos poucos privilégios e deveres que os funcionários públicos podem gozar. Eu gosto da nossa Ministra da Cultura e, provavelmente, não reparou no monstro que estava escondido. Agora é tarde para não ter opinião sobre espectáculos artísticos que devem ser regulados. Chegou o momento de a ministra entrar no palco ou, mais a propósito, na arena. Aliás, se o Ministério da Cultura não tiver o pão sob a sua alçada, será então do circo que deve tratar. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:08
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