Terça-feira, 16 de Março de 2010

Admito que fiquei comovido ao ver os nossos ministros de Educação e Administração Interna numa escola a entregar títulos de residência aos alunos ou aos membros das suas famílias residentes no concelho da Amadora. O projecto “SEF vai à Escola”, uma iniciativa conjunta daqueles ministérios, tem como objectivo atribuir ou renovar os documentos de autorização de residência de cidadãos estrangeiros que frequentam estabelecimentos de ensino reconhecidos. Além de a criança que frequenta a escola poder ser legalizada, o projecto permite também aos pais regularizar a sua situação em Portugal. A ideia é boa e gira. Obviamente, espero que nenhum estrangeiro se sinta ofendido por os ministros não estarem presentes quando lhe toque a sua vez. É impossível que tenham tempo para todos. Os meus melhores amigos são estrangeiros e por isso compreendo a importância deste gesto e desta iniciativa. Só a imagem de ver os funcionários do SEF a entregar os documentos nas escolas aos alunos e aos pais é bonita, civilizada e boa. Até tenho uma certa inveja. No outro dia foi à Loja do Cidadão tratar já não me lembro de que documento e, além de ficar mais de duas horas à espera, não consegui fazer nada porque me faltava um número qualquer de algum outro certificado cuja existência também ignorava. Era tão giro ter um serviço destes ao domicílio. Uma espécie de Tele-documento ou Burô-Hut. Ligávamos e vinham a nossas casas com todos os formulários precisos e nós só tínhamos de procurar o que era preciso. Até podíamos tomar um café com o funcionário ou a funcionária e rirmo-nos de outros utentes que não sabem receber visitas ou dos funcionários que por timidez não se atrevem entrar nas casas e ficam o tempo todo de pé à entrada. Podia haver ofertas do estilo “já que está a renovar o passaporte, pelo mesmo preço renovamos a sua carta de condução”. Como é vidente não ficaríamos à espera de que o próprio ministro da tutela estivesse presente, mas até era simpático. Enfim, vamos esperar que acabem de legalizar os estrangeiros que estão mais aflitos. Mas depois também nos podiam dar alguns mimos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:13
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