Quinta-feira, 18 de Março de 2010

No meio de todos os problemas que estamos a viver, o desemprego, a diminuição de benefícios fiscais, a inconstitucionalidade do casamento de pessoas do mesmo sexo, há pessoas que ainda têm tempo e cabeça para pensar em coisas que não lembram nem ao Menino Jesus. Devem ser visionários ou seres superiores que conseguem ver mais longe que nós. Capazes de se indignar onde o resto dos mortais são indiferentes. Estou a falar de um grupo de deputados socialistas, que, apesar das dificuldades em que vivemos, se lembraram de propor na Assembleia da República um projecto de lei que visa proibir que se baptize espaços públicos, como ruas, praças, jardins ou equipamentos financiados pelo Estado, com nomes de personalidades ainda vivas. Compreendo a indignação, até porque, como eles afirmam, "há quem tenha sido indevidamente glorificado". Eu próprio senti alguma indignação e vergonha quando soube que o último encontro do PSD em Mafra se realizou no pavilhão chamado Ministro dos Santos, actual presidente do município da vila de Mafra, rapaz que claramente não tem idade para dar nome a edifícios. É um caso que lembra a humildade de Nicolae Ceauşescu, Estaline, “Papa Doc” Duvalier, Juan Domingo Perón ou Walt Disney. Por outro lado, há pessoas que merecem ser homenageadas em vida. Acho justo que exista um pavilhão Rosa Mota ou Carlos Lopes. Que Eusébio tenha uma estátua. Julgo que Mário Soares e Ramalho Eanes deviam ter ao menos um largo ou uma praça com os seus nomes. Ao contrário de Avelino Torres, que tem montes de ruas com o seu nome, há gente que merece ser lembrada enquanto está viva e antes de ter a mínima possibilidade de ser esquecida. A proposta destes deputados está mal formulada. Estar morto não é critério para ter direito a merecer dar o nome a um lugar público. Os que têm a sorte de ver reconhecidos os seus méritos em vida não têm por que ficar adiados. A questão é que uma homenagem é um acto gratidão de muitos a poucos ou a um só. Se tivermos a possibilidade de agradecer antes de aquele que é melhor que nós já não estar mais entre nós, é muito bom. Até podemos ter a sorte de ouvir um obrigado ou ver um sorriso. É só uma questão de pudor e, sobretudo, de bom senso. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:39
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