Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Como sabem, a famosa lei da rolha proposta por Pedro Santana Lopes não foi uma invenção dele. Existe noutros partidos aqui e fora de Portugal. O que significa que é mais um exagero jornalístico e político. Desta vez a culpa é de ambos. Contudo, é importante lembrar que a existência de regulamentos que castiguem os membros de uma associação por desrespeito às autoridades muitas vezes existe só para se saber que pode ser aplicada. É como a famosa dissuasão nuclear: “Eu tenho, posso usar, mas não uso a menos que tu tenhas, possas usar e uses. Mas nesse caso estamos os dois feitos”. Imaginemos que esta regulamentação tinha sido posta em prática quando Manuel Alegre se candidatou à revelia do PS ou que tinha sido aplicada quando Pacheco Pereira atacou qualquer dos últimos líderes do PSD. As consequências seriam imprevisíveis. Se calhar tínhamos seis ou mais partidos na Assembleia da República. O segredo é ameaçar e não executar. Mais um exemplo de dissuasão pela ameaça: a chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu que um país europeu pode ser obrigado, em último recurso, a sair da zona euro se, “repetidamente, não cumprir as condições” necessárias para se manter na moeda única. Estava obviamente a dirigir-se à Grécia. Mas os problemas da aplicação de uma sanção destas são inimagináveis. A alemã pode ameaçar com a força que a sua economia lhe aufere, mas abandonar um membro da União só porque está pobre é de muito mau gosto, além de socialmente condenável. Coitados dos gregos. Aliás, se isto acontecesse com os gregos, depois acontecia connosco, a seguir à Irlanda e sabe Deus a quem mais. É por isso que acho que Manuel Alegre pode continuar a ser um militante socialista mesmo que seja candidato pelo Bloco; que Pacheco Pereira pode continuar a criticar o líder do PSD seja ele quem for, e que a Grécia pode ficar tranquila, lá com as suas greves gerais. No fundo, no pasa nada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:47
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