Terça-feira, 23 de Março de 2010

Quando vemos os Jogos Paraolímpicos, sentimos um misto de admiração e estranheza. Admiramos a tenacidade das pessoas que, apesar das suas incapacidades, querem exigir fisicamente de si próprias e divertir-se em actividades que não foram pensadas para elas. Muitas vezes me perguntei porque é que nunca inventaram jogos em que só pessoas com determinadas limitações físicas podiam participar. Acredito que não deva ser fácil inventar desportos novos e específicos, mas não deve ser impossível. Também é certo que umas modalidades são mais fáceis de adaptar que outras. As corridas em que participam invisuais são, a meu ver, mais acessíveis que os jogos de futebol. O basquetebol em cadeira de rodas não só foi bem adaptado, como também chega a ser interessante de ver. Outro aspecto positivo que julgava que os Jogos Paraolímpicos tinham era não estarem expostos aos perigos da competição profissional, como o doping. Infelizmente, enganei-me. Li ontem que Glenn Ikonen foi suspenso por dois anos por doping nos Jogos Paraolímpicos de Vancouver 2010. A modalidade também é surpreendente: o curling. É aquele jogo parecido com a “laranjinha” mas sobre gelo. Neste jogo há que aproximar umas bolas a um círculo que está no extremo oposto da pista. Não é um jogo particularmente excitante, como podem imaginar, e muito menos sentimos que exija algum tipo de droga para ser jogado. A não ser cafeína. E para os espectadores para não morrerem de tédio. Glenn Ikonem participou na sua modalidade de cadeira de rodas. Foi-lhe detectada uma substância proibida, um betabloqueador. Como todos os desportistas apanhados, acusou o seu médico e explicou cobardemente que tinha a tensão muito alta. Mas isso é lá problema dele. O que fica registado é o mau exemplo e ter manchado o ideal paraolímpico. Já para não falar que agora, sempre que virmos um jogo de curling paraolímpico, vamos ter a sensação de que os jogadores, descontraídos nas suas cadeiras de rodas, estão empanturrados de betabloqueadores. Da fama ninguém os livra. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:52
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