Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Um estudo feito sobre a saúde mental dos portugueses, que apesar do objecto da pesquisa, parece ser um trabalho sério, afirma que um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas. Esta conclusão surpreendeu quatro em cada cinco portugueses. Incluído o seu mentor, o Coordenador Nacional para a Saúde Mental, Caldas de Almeida. Parece que em comparação com dados de outros seis países europeus, Portugal está à frente de países muito mais ricos que nós como a França. Já para não mencionar que se a Espanha nos quisesse superar teria de comprar muitos perturbados no estrangeiro para se pôr ao nosso nível. À nossa altura, em percentagem de doentes mentais, só temos os Estados Unidos. Nada mal para um país com uma dívida externa e uma taxa de desemprego como as nossas. O segredo destes números excepcionais é simples. As pessoas não percebem que estão doentes até se tornarem insuportáveis ou até ficarem de rastos. Por exemplo, uma pessoa com sintomas de depressão leva cinco anos até decidir ir ao médico e, mesmo assim, é provável que veja um médico de clínica geral e não um psiquiatra. Mais compreensível é o caso dos alcoólicos, que levam uma média de 29 anos até decidirem ser tratados. É natural. Normalmente os primeiros vinte anos são uma festa. Mas portugueses e portuguesas, não se assustem. Ter 20% da população com distúrbios mentais não é assim muito. Quem não vive com angústia, ansiedade, alguma tristeza ou um certo desencanto pela vida é parvo ou está mais doente que os doentes. Se para ultrapassar as dificuldades e ganhar coragem são precisos dois ou três copitos, ou não querer ver ninguém ou lavar as mãos cinquenta vezes ao dia, está tudo dentro dos padrões civilizacionais actuais. Desde que não andem a matar desconhecidos, a violar mulheres ou a achar que as crianças são sexy, cá por mim acho que estão óptimos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:53
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