Quinta-feira, 25 de Março de 2010

Um grupo de reflexão chamado Saúde-em-Rede reuniu-se na Universidade Nova de Lisboa. Como o próprio nome indica, o grupo reflectiu sobre o sistema de Saúde em Portugal e, para espanto de todo o país, concluiu que os cidadãos não estão satisfeitos com o sistema de Saúde em Portugal. Estes pensadores do Saúde-em-Rede concluíram que as condições de acessibilidade à Saúde, as características individuais do utente, a relação profissional utente e a informação prestada são os principais factores que influenciam o grau de satisfação do utente. Suponho que por falta de tempo não chegaram a nenhuma conclusão sobre as condições de acessibilidade à Saúde. Mas todos sabemos que é uma questão de onde se mora e onde fica o hospital mais próximo. Sobre a relação profissional utente, sabemos que depende de quem é o médico que nos calha em sorte ou qual é o doente que toca aos médicos na sorte deles. Sobre a informação prestada, ninguém tem a mínima esperança em Portugal de receber a informação certa. Mas a isto estamos habituados desde pequeninos com os nossos pais. Parece que este grupo Saúde-em-Rede só conseguiu concentrar os seus esforços nas características individuais do utente. O que estes génios beneméritos descobriram é que os utentes do Serviço de Saúde são maioritariamente cidadãos de “pouca literacia”. Obviamente isto complica tudo. Os médicos não percebem e os doentes também não. Ainda por cima não sabem queixar-se. Isso não é bom para melhorar o nosso sistema de nacional de saúde. Ainda por cima, num negócio em que o cliente, mesmo que se porventura saísse satisfeito, nunca tardaria muito em voltar. A solução proposta pela malta do grupo Saúde-em-Rede é que é necessário investir nos primeiros anos do ensino básico. Ou seja, educar os utentes para poderem ser mais claros, compreender melhor, e se for caso disso, poderem queixar-se de modo a que alguém lhes dê atenção. São uns génios. Se começarmos agora a educá-los, daqui a quarenta anos teremos doentes com literacia suficiente para mandar para o raio que os parta os médicos, enfermeiros, pessoal administrativo e seguranças sempre que forem mal tratados no Serviço Nacional de Saúde. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
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