Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Uma "gafe sexista" do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, sobre a aparência física de uma candidata de esquerda às eleições regionais foi notícia. Há uns dias o anúncio de que David Cameron, líder do partido conservador inglês, e a sua mulher estavam à espera do seu terceiro filho também foi do interesse do público. Semanas antes falou-se das supostas infidelidades recíprocas de Sarkozy e a sua mulher Carla Bruni. Numa escala ainda mais pequena já se falou no nosso país do fim do namoro do nosso primeiro-ministro e uma conhecida jornalista, e posteriormente do início de um novo romance do nosso enérgico Sócrates. Pelo lado espanhol, Zapatero é, ao contrário de Aznar, um político pouco dado a mundanidades. Contudo o look gótico das suas filhas foi uma notícia que deu uma certa pinta ao presidente do governo espanhol. Os alemães, por seu lado, compensam o lado feminino pouco atractivo de Angela Merkel com o liberalismo do Ministro de Relações Estrangeiras, Guido Westerwelle. O líder do partido liberal e assumidamente homossexual faz as visitas de Estado acompanhado do seu parceiro de muitos anos. Julgo que a Europa, apesar do seu cinzentismo político e a sua angústia financeira obsessiva, tem governantes humanos, sexuados e interessantes. O povo europeu pode envergonhar-se de Berlusconi, mas todos reconhecem que os jornais seriam mais chatos e os membros dos governos italianos mais feios sem ele. O presidente francês deu-se ao luxo de se divorciar pouco depois de ganhar as eleições. Pouco mais tarde voltou a casar-se com a Bruni. Estamos a brincar? Nos Estados Unidos ainda não recuperaram da estagiária, o charuto e o presidente. Na Rússia, apesar da beleza histórica das suas mulheres, quem vê a mulher de Putin pergunta de que serve tanto poder, tanta vodka e caviar e tanta neve. Sempre que sinto vergonha pela política da Europa, lembro-me das coisas boas. Das obscenidades que os franceses sabem dizer sem que soem mal. Que a minissaia foi reinventada pelos ingleses e que nunca houve decotes no cinema como os das italianas. Pois é. Ainda temos do que nos orgulhar na nossa velha Europa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:55
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